O CÉREBRO É UMA MÁQUINA DE CRENÇAS

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O cérebro é uma máquina de crenças
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Por que as pessoas acreditam? Os sistemas de crença são poderosos, penetrantes e duradouros;as crenças nascem, se formam, se alimentam, se reforçam, são contestadas, mudam e se extinguem. Construímos nossas crenças por várias e diferentes razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas, em contextos criados pela família, por amigos, colegas, pela cultura e a sociedade. Uma vez consolidadas essas crenças, nós as defendemos, justificamos com uma profusão de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Primeiro surgem as crenças e depois as explicações.
A partir dos dados que fluem através dos sentidos, o cérebro naturalmente começa a procurar e encontra padrões, aos quais então infunde significado;o primeiro processo é de padronicidade: a tendência de encontrar padrões significativos em dados que podem ou não ser significativos;o segundo processo é de acionalização: a tendência de dar aos padrões significado, intenção e ação. Não podemos evitar isso. Nosso cérebro evoluiu para conectar os pontos de nosso mundo em padrões significativos, capazes de explicar por que as coisas acontecem.
Esses padrões significativos se tornam crenças. Uma vez formadas as crenças, o cérebro começa a procurar e encontra evidências que as confirmem, o que aumenta a confiança emocional e acelera o processo de reforço dessas crenças. Assim, o processo continua em um ciclo de reforço e confirmação das crenças. Vez ou outra, as pessoas constroem crenças a partir de uma experiência reveladora totalmente livre de restrições de seus antecedentes pessoais ou de sua cultura. 
Ainda mais raros são aqueles que, depois de ponderar sobre as evidências e confrontá-las com a opinião que já tinham, computam as probabilidades e tomam uma decisão puramente racional, da qual nunca voltam atrás. Essa mudança de crença é muito rara na religião e na política, a ponto de provocar manchetes quando ocorre com alguém que desfrute de uma posição proeminente, como um clérigo que mude de religião ou renuncie à sua fé, ou um político que mude de partido ou se torne independente. Acontece, mas é tão raro quanto um cisne negro. A mudança de crença ocorre mais frequentemente na ciência, mas não com a frequência que se poderia esperar diante da imagem idealizada do cultuado “método científico”, para o qual apenas os fatos importam.
Mas os cientistas são seres humanos, sujeitos como qualquer um aos caprichos da emoção e à influência dos desvios cognitivos quando moldam e reforçam suas crenças. Nosso cérebro também avalia as crenças e faz um julgamento de valor sobre elas. Existem razões evolutivas que explicam por que construímos crenças e as julgamos como boas ou más(veremos mais adiante); Por ora, basta dizer que nossas tendências tribais nos levam a formar coalizões com companheiros que possuem idéias afins e a “demonizar” os que têm crenças diferentes.
Assim, quando tomamos conhecimento de crenças que diferem das nossas, temos a tendência de rejeitá-las ou destruí-las por considerá-las absurdas, más, ou ambas as coisas. Essa propensão torna ainda mais difícil mudar de opinião diante de novas evidências.
Sondaremos neste post o interior do cérebro, mergulhando na neurofisiologia da construção dos sistemas de crenças no nível de um único neurônio, para depois reconstruir de baixo para cima a maneira como nosso cérebro forma crenças. Examinaremos como os sistemas de crenças funcionam em relação à religião, à vida depois da morte, a Deus, a extraterrestres, conspirações, política, economia e ideologias de todas as nuances, e então passaremos a analisar como um conjunto de processos cognitivos nos convence de que nossas crenças são verdadeiras; vamos examinar como saber se alguma de nossas crenças é plausível, que padrões são verdadeiros e quais são falsos, que agentes são verdadeiros ou não, e de que forma a ciência funciona como instrumento de detecção de padrões.
UMA HISTÓRIA DE MILHÕES DE ANOS
Imagine que você é um hominídeo caminhando por uma savana africana há 3 milhões de anos. Você ouve um ruído na mata. Será apenas o vento ou um predador perigoso? Sua resposta pode significar vida ou morte. Se você presumir que o ruído na mata é um predador perigoso, mas for apenas o vento, você terá cometido o que chamamos  de “erro cognitivo do tipo I”, também conhecido como um “falso positivo”, isto é, acreditar que alguma coisa é real quando não é. Ou seja, você descobriu um padrão inexistente. Você conectou (A) um ruído na mata a (B) um predador perigoso, mas nesse caso A não estava ligado a B. Não houve nenhum dano. Você se afasta do ruído, torna-se mais alerta e cauteloso e encontra outra trilha que o leve a seu destino. Se você presumir que o ruído na mata é apenas o vento, mas na verdade for um predador perigoso, você terá cometido o que chamamos de “erro cognitivo do tipo II”, também conhecido como um “falso negativo”, isto é, acreditar que alguma coisa não é real quando na verdade é. Ou seja, você perdeu um padrão verdadeiro. Deixou de ligar (A) um ruído na mata a (B) um predador perigoso, e nesse caso A estava ligado a B. Você será devorado. Parabéns, você ganhou o Prêmio Darwin e não pertence mais à família dos hominídeos.
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O PAPEL DO CÉREBRO NISSO TUDO
Nosso cérebro é uma máquina de crença, um aparelho avançado de reconhecimento de padrões que ligam os pontos e criam significados a partir de padrões que acreditamos ver na natureza.. Somos os ancestrais daqueles que foram mais bem-sucedidos em encontrar padrões. Esse processo se chama “aprendizado por associação” e é fundamental para o comportamento de todos os animais; esse processo é a  padronicidade, ou a tendência de encontrar padrões significativos em dados que podem ou não ser significativos. Infelizmente, não desenvolvemos no cérebro uma rede de detecção de besteiras, capaz de distinguir padrões falsos dos verdadeiros. Não possuímos um detector de erros capaz de regular a máquina de reconhecimento de padrões. A razão tem a ver com o custo relativo de cometer os erros cognitivos do tipo I e do tipo II,  na seguinte fórmula: P = CTI < CTII ou seja, a padronicidade (P) ocorre quando o custo (C) de cometer um erro do tipo I (TI) é menor do que o custo (C) de cometer um erro do tipo II (TII). O problema é que avaliar a diferença entre um erro do tipo I e um erro do tipo II é muito difícil – especialmente nas frações de segundo que frequentemente determinam a diferença entre a vida e a morte em nosso ambiente ancestral –, de modo que o melhor é supor que todos os padrões são reais, ou seja, que todos os ruídos na mata são provocados por predadores perigosos, e não pelo vento. Esta é a base da evolução de todas as formas de padronicidade, inclusive da superstição e do pensamento mágico. Existe no processo cognitivo uma seleção natural de supor que todos os padrões são reais e todas as padronicidades representam fenômenos reais e importantes. Somos descendentes de primatas que empregaram a padronicidade com mais sucesso.
Resultado de imagem para imagens sobre a crença e o cerebroPadronicidade e Lócus de Controle Interno e Externo
As padronicidades não ocorrem aleatóriamente. Ao contrário, estão relacionadas com o contexto e o ambiente do organismo, a ponto dele acreditar que tem controle sobre o ambiente. Os psicólogos chamam isso de “lócus de controle”.
Pessoas que apresentam altos índices de lócus de controle interno tendem a acreditar que fazem as coisas acontecerem e que têm controle sobre as suas circunstâncias, ao passo que pessoas que apresentam altos índices de lócus de controle externo tendem a pensar que as circunstâncias estão fora de seu controle e que as coisas apenas lhes acontecem. A idéia neste caso é que, tendo um alto lócus de controle interno, você será mais confiante em seus julgamentos, mais cético em relação a autoridades e fontes de informação, e apresentará uma tendência menor a se adaptar a influências externas. 
De fato, pessoas que se consideram “céticas” em relação a fenômenos paranormais e sobrenaturais costumam apresentar alto grau de lócus de controle interno, ao passo que as que se consideram “crentes” em fenômenos com percepção extrassensorial, espiritualismo, reencarnação e experiências místicas em geral tendem a apresentar um alto grau de lócus de controle externo. O lócus de controle também é mediado por níveis de segurança ou insegurança em ambientes físicos e sociais. Os famosos estudos de Bronislaw Malinowski sobre as superstições entre os habitantes das ilhas Trobriand, no Pacífico sul, demonstraram que, quando aumentava o grau de insegurança no ambiente, crescia também o comportamento supersticioso. Malinowski observou isso particularmente entre os pescadores das ilhas Trobriand – quanto mais longe eles navegavam, maiores eram as condições de insegurança e a incerteza de sucesso na pesca.
Seus rituais supersticiosos cresciam proporcionalmente à sua insegurança. “Encontramos magia sempre que estavam presentes elementos do acaso e de acidentes, e que as emoções oscilavam entre esperança e medo”, explicou Malinowski. “Não encontramos magia quando a busca era certa, confiável e sob o controle de métodos racionais e processos tecnológicos. Além disso, encontramos magia sempre que o elemento de perigo era evidente.”

A insegurança torna as pessoas mais ansiosas e a ansiedade está ligada ao pensamento mágico. Um estudo de 1944, por exemplo, mostrou que alunos ansiosos do primeiro ano de MBA estão mais sujeitos a pensamentos conspiratórios que seus colegas mais seguros do segundo ano. Até mesmo emoções básicas como a fome podem influenciar a padronicidade perceptiva. Um estudo de 1942 descobriu que, quando imagens ambíguas são exibidas á pessoas famintas e á saciadas, as primeiras têm maior probabilidade de enxergar comida. E certos ambientes econômicos podem gerar impressões equivocadas. Em um experimento, crianças de bairros pobres e famílias da classe trabalhadora tendem a fazer avaliações exageradas do tamanho de moedas comparadas com as avaliações das crianças de bairros e famílias ricos.
Resultado de imagem para imagens sobre a crença e o cerebroAcionalização
Vamos voltar ao nosso ancestral hominídeo nas planícies da África que ouve um ruído na mata e a um assunto crucial: se o som representa um predador perigoso ou apenas o vento. Essa é uma distinção importante em vários níveis, não apenas em termos de vida ou morte, mas de outra diferença: o “vento” representa uma força inanimada, enquanto o “predador perigoso” representa um agente intencional. Existe grande diferença entre uma força inanimada e um agente intencional. A maioria dos animais é capaz de fazer essa distinção no nível superficial (mas vital) de vida ou morte, mas nós fazemos algo que outros animais não fazem. Como hominídeos de cérebro maior, com um córtex desenvolvido e uma “teoria da mente” – consciência de estados mentais como desejos e intenções, tanto em nós quanto nos outros –, praticamos o que chamamos de acionalização: a tendência de infundir nos padrões significado, intenção e ação. Ou seja, quase sempre transmitimos ação e intenção aos padrões que encontramos e acreditamos que esses agentes intencionais controlam o mundo, às vezes de maneira invisível, de cima para baixo, e não da maneira aleatória causal, de baixo para cima, que governa nosso mundo.  Os exemplos de acionalização são abundantes. Sujeitos que observam pontos reflexivos se moverem em um quarto escuro, principalmente se os pontos assumem a forma de duas pernas e dois braços, inferem que eles representam uma pessoa ou um agente intencional. As crianças acreditam que o sol pode pensar e as persegue e, quando solicitadas a desenhar uma imagem do sol, muitas vezes desenham um rosto sorridente para lhe dar a capacidade de ação. Acredita-se que alimentos que apresentam formas semelhantes a genitais, como bananas e ostras, aumentam a potência sexual. Um terço dos pacientes que sofreram transplantes acredita que a personalidade ou essência do doador é transplantada com o órgão.
AS PESQUISAS
Uma equipe de pesquisadores conduziu um estudo entre adultos saudáveis, que foram solicitados a classificar o rosto de vinte pessoas segundo os critérios de atratividade e inteligência. Eles também teriam que dizer até que ponto estariam dispostos a receber o coração transplantado de cada uma dessas pessoas. Feitas as classificações, disseram aos sujeitos que metade das pessoas que eles tinham acabado de classificar eram assassinos condenados e pediu que voltassem a classificar as imagens. Significativamente, a classificação da atratividade e da inteligência dos assassinos caiu, mas a maior queda ocorreu na disposição de aceitar o coração de um assassino, o que, segundo  se concluiu, se devia ao medo de que a essência do mal fosse transmitida ao receptor.Essa descoberta corrobora o estudo que revelou que a maioria das pessoas jamais usaria o suéter de um assassino, mostrando forte aversão ao simples pensamento disso, como se a maldade do assassino impregnasse o material do suéter.Na forma positiva de acionalização, ao contrário, a maioria das pessoas disse que usaria o suéter de algum famoso ator, educador , apresentador de um programa na tevê americana, acreditando que isso as faria pessoas melhores. Qual é a base evolucionária desse essencialismo? “Quando acreditamos que a essência é transferível, não nos consideramos indivíduos isolados, mas membros de uma tribo, ligados por crenças na conexão sobrenatural”, concluíram os cientistas. Veremos os outros em termos das propriedades que os fazem essencialmente diferentes de nós. Tal idéia indica que algumas qualidades essenciais têm maior probabilidade de ser transmitidas que outras. Juventude, energia, beleza, temperamento, força e até mesmo preferências sexuais são qualidades essenciais que atribuímos aos outros. Esse pensamento  pode ter efeitos naturais. Somos “sobrenaturalistas” natos, movidos pela tendência de encontrar padrões significativos e infundir-lhes intencionalidade. Por que fazemos isso?
Resultado de imagem para imagens sobre a crença e o cerebroAcionalização e o cérebro assombrado por demônios
Há cinco séculos, demônios assombravam nosso mundo, com íncubos e súcubos atormentando suas vítimas enquanto dormiam. Dois séculos atrás, eram os espíritos que nos assombravam, com fantasmas e espíritos malignos perseguindo sofredores a qualquer hora da noite. No século passado, foram os extraterrestres que assombraram nosso mundo, com seres cinzentos ou verdes incomodando as pessoas no sono, transmitindo mensagens quando elas estavam deitadas e ainda acordadas ou abduzindo-as na nave-mãe para suas investigações. Hoje, as pessoas vivem experiências fora do corpo,deixam o planeta e entram no espaço. O que acontece nesses casos? Essas criaturas  e esses misteriosos fenômenos ocorrem no mundo ou em nossa mente? Por enquanto não sabemos ao certo,exceto as evidências investigativas e fatos irrefutáveis,  eles estão totalmente em nossa cabeça, mesmo quando são modificados e adaptados à cultura em que surgiram. As evidências de que cérebro e mente constituem uma coisa só são hoje esmagadoras. Em seu laboratório de pesquisa naLaurentian University, em Sudbury, Ontário, o neurocientista Michael Persinger induz todos esses fenômenos em voluntários, submetendo seu lobo temporal a campos magnéticos. Persinger instala eletromagnetos em um capacete de motocicleta adaptado (às vezes chamado de “capacete de Deus”) para produzir uma ativação transiente do lobo temporal dos sujeitos. Ele acredita que os campos magnéticos estimulam “microataques” nos lobos temporais, quase sempre produzindo o que se pode chamar de episódios espirituais ou sobrenaturais: sensação de uma presença na sala, experiência fora do corpo, distorções bizarras de partes do corpo e até mesmo um profundo sentimento religioso de estar em contato com Deus, deuses, santos e anjos. Quaisquer que sejam os nomes, o processo é um exemplo de acionalização. Por que isso ocorre? Porque, diz Persinger, nosso “senso de ser” é mantido pelo lobo temporal do hemisfério esquerdo. Se o cérebro funciona normalmente, esse sistema tem um correspondente no lobo temporal do hemisfério direito. Quando esses dois sistemas estão fora de sincronia, o hemisfério esquerdo interpreta a atividade descoordenada como “outro ser” ou como uma “presença”, porque só pode existir um ser.
Dois seres são reconfigurados como um ser mais outra coisa, que pode ser rotulada de anjo, demônio, alienígena, fantasma ou mesmo Deus. Quando a amígdala é envolvida em acontecimentos transientes, diz Persinger, os fatores emocionais podem acentuar significativamente a experiência, que, ligada a temas espirituais, é fonte de intensos sentimentos religiosos.

Michael Persinger – Como fazer alguém aceitar uma Mentira como Verdade .

Articulado, inteligente e conhecedor da mídia, Persinger é um personagem interessante;Em sua pesquisa, as descrições carregadas de jargões dificultam o entendimento quando hipótese e teoria se misturam com especulações e conjeturas. Desde o início da década de 1970, Persinger dedicou-se a testar a hipótese de que as experiências paranormais são ilusões criadas pelo cérebro. Minúsculas mudanças na química do cérebro ou mínimas alterações da atividade elétrica podem criar fortes alucinações que parecem absolutamente reais. Essas falhas cerebrais podem ocorrer naturalmente devido a forças externas. “Sabemos que toda experiência deriva do cérebro”, explica Persinger em uma entrevista. “Percebemos que padrões sutis geram complexas experiências e emoções humanas. Graças à tecnologia do computador, extraímos os padrões eletromagnéticos gerados pelo cérebro nessas experiências e depois voltamos a expor os voluntários a esses padrões.”
Acionalização e a sensação de presença
Uma das maneiras mais eficientes de entender como o cérebro funciona, é quando ele não funciona bem ou está sob estresse ou condições extremas. Um exemplo dessas condições extremas é o conhecido fenômeno que ocorre a alpinistas, exploradores das regiões polares, navegadores solitários e atletas de alta resistência, que é chamado de “fator terceiro homem”, mas que neurocientistas chamam de “efeito da sensação de presença”. Essa presença sentida é às vezes descrita como um “anjo da guarda” e aparece em situações extremas e incomuns.Em especial, em momentos de luta de vida e morte, em climas excepcionalmente inóspitos ou sob uma tensão anormal, o cérebro parece pedir orientação física ou apoio moral. A denominação “terceiro homem” é de um poema de T. S. Eliot, A terra desolada:
“Quem é o terceiro que sempre caminha a seu lado?
Quando conto, há sempre eu e você juntos.
Mas quando olho à frente a estrada branca
Há sempre outro caminhando ao seu lado,
Deslizando escondido sob um manto marrom”.
Nesse trecho, Eliot explica que os versos “foram inspirados no relato de um explorador da Antártica : ele relata que os exploradores, no limite de suas forças, tinham a constante ilusão de que havia mais um membro além dos que podiam ser contados”.Na verdade, no relato de Sir Ernest Henry Shackleton,explorador polar, um quarto homem acompanhou os três membros remanescentes da expedição: “Muitas vezes eu tinha a impressão de que éramos quatro e não três”. Terceiro homem, quarto homem, anjo, alienígena – não importa. O que nos interessa aqui é a sensação de presença, porque esse é outro exemplo da capacidade do cérebro de criar acionalização.
CHARLES LINDBERGH E O “TERCEIRO HOMEM”
Em seu livro O fator terceiro homem, John Geiger lista as condições associadas à sensação de presença: monotonia, escuridão, paisagem inóspita, isolamento, frio, ferimento, desidratação, fome, fadiga e medo. A essa lista podemos acrescentar a privação de sono, que provávelmente explica a presença que Charles Lindbergh sentiu em seu vôo transatlântico a Paris. Durante sua histórica viagem, Lindbergh teve consciência de estar acompanhado na cabine de seu Spirit of St. Louis:
 “A fuselagem atrás de mim se encheu de presenças fantasmagóricas – formas vagamente delineadas, transparentes, moventes, viajando ao meu lado no avião. Não me assustei com sua chegada. Não houve surpresa diante de sua aparição”.
Não havia aberrações no ambiente da cabine, a exemplo de neblina ou reflexos luminosos, porque, como Lindbergh relata: “Sem virar a cabeça, vejo-os claramente como se estivessem dentro de meu campo normal de visão”. Ele até ouviu “vozes que falavam num tom autoritário e claro”. Entretanto, depois do vôo, ele afirmou: “Não consigo me lembrar de uma única palavra que disseram”. O que aqueles seres fantasmagóricos estavam fazendo ali? Estavam ali para ajudar, “conversando e me aconselhando no vôo, discutindo problemas de navegação, tranquilizando-me, enviando-me mensagens importantes inacessíveis na vida normal”.(nota pessoal;Uma questão de fé ou uma reação do cérebro, esse ainda tão desconhecido computador quântico do corpo humano?Seria o cérerbo uma antena para captar essas “entidades” ou uma reação normal ainda desconhecida, tratada como sobrenatural?Cada um pode chegar á suas próprias conclusões)
O CASO DO ALPINISTA HERMANN BUHL E JOE SIMPSON
O famoso alpinista austríaco Hermann Buhl, o primeiro a chegar ao Nanga Parbat – o nono pico mais alto do mundo, a 8.125 metros de altitude, conhecido como “Montanha Assassina” por causa dos 31 alpinistas que morreram ali –, de repente, no caminho de volta, percebeu que tinha companhia, embora estivesse escalando sozinho:
“Perto do Silbersattel, avisto dois pontos. Quase grito de alegria. Agora alguém vem subindo. Posso ouvir suas vozes, alguém chama ‘Hermann’, mas então percebo que são as rochas do pico Chongra que se erguem atrás de mim. Sinto uma amarga decepção. Continuo em frente, desanimado. Essa percepção acontece frequentemente. Depois ouço vozes, ouço meu nome claramente – alucinações”. Durante toda a experiência, Buhl disse que teve “a extraordinária sensação de que não estava sozinho”.
São inúmeros esses relatos no folclore do alpinismo. Reinhold Messner, o mais famoso alpinista solitário da história (o primeiro a chegar ao topo do Everest sem suprimento de oxigênio), lembra de ter mantido conversas com companheiros imaginários durante sua expedição no ar rarefeito do Himalaia.
Sobre a relação do efeito da sensação de presença e a crença, podemos ler no relato  do alpinista Joe Simpson sobre o que lhe aconteceu na descida dos 6.344 metros do pico de Siula Grande, nos Andes peruanos, depois de um acidente que pôs sua vida em risco. Quando Simpson lutava para voltar ao acampamento-base, uma segunda mente de repente se materializou em sua cabeça para lhe dar ajuda e conforto. Depois de verificar que a voz não emanava de seu walkman, Simpson decidiu que era outra coisa: “A voz era límpida e autoritária. Estava sempre certa e eu a ouvia quando ela falava e agia de acordo com suas decisões. A outra mente vagava por uma série de imagens, lembranças e esperanças desconexas, a que eu assistia em um estado de devaneio e tratava de obedecer às ordens da voz”.
O NEURÔNIO DA CRENÇA
Toda experiência é mediada pelo cérebro. A mente é aquilo que o cérebro faz. Não existe a “mente” isolada, fora da atividade cerebral. “Mente” é apenas uma palavra que usamos para descrever a atividade neural que ocorre no cérebro. Sem cérebro não existe mente. Sabemos disso porque, se uma parte do cérebro for destruída por derrame, câncer, acidente ou cirurgia, aquilo que a parte do cérebro fazia não é mais possível. Se o dano ocorre na primeira infância, quando a plasticidade do cérebro é especialmente grande, ou na vida adulta, em certas áreas do cérebro que são capazes de se reconectar, aquela função cerebral – aquela parte “mental” do cérebro – pode se reconectar a outra rede neural. Mas esse processo apenas reforça o fato de que, sem conexões neurais no cérebro, não existe mente. Apesar disso, explicações imprecisas dos processos mentais ainda são utilizadas.
Resultado de imagem para imagens sobre a crença e o cerebroForça mental
Darrell C. Dearmore, um dos mais lúcidos expositores da ciência  – mergulhava no núcleo do cérebro para revelar a estrutura primordial de todo pensamento e toda ação: o neurônio. Antes de entender como o neurônio funciona, sempre existiram explicações confusas e vagas sobre o que acontecia na cabeça das pessoas, como “pensar”, “processar”, “aprender” ou “entender”, tudo reunido no termo “mente”, como se todas essas coisas fossem explicações causais para os processos cerebrais. Não são. São apenas palavras usadas para descrever um processo que exige explicação mais profunda. No início do século XX, o biólogo britânico Julian Huxley parodiou a explicação do filósofo francês Henri Bergson de que a vida tinha como causa um élan vital (força vital), o que para Huxley equivalia a explicar o funcionamento de uma locomotiva a vapor por seu élan locomotif (força locomotiva). Richard Dawkins usou brilhantemente uma analogia semelhante para parodiar a explicação de que a vida é fruto de um propósito inteligente.
Dizer que o olho, a bactéria flagellum ou o DNA são planejados não diz nada. Os cientistas querem saber como eles são concebidos, que forças estão em ação, como o processo de desenvolvimento se desenrola, e assim Dawkins imaginou uma história em que, em uma visão de mundo criacionista, Andrew Huxley e Alan Hodgkin, ganhadores do Prêmio Nobel pela descoberta da biofísica molecular do impulso nervoso, a atribuíam à “energia nervosa”.
Por que simplesmente não dizemos que a luz é convertida em um impulso nervoso pela força mental? O que a força mental explica? Nada. Seria como dizer que o motor de um automóvel é operado pela força da combustão, que não explica o que na verdade ocorre nos cilindros de um motor de combustão interna. É por isso que podemos afirmar que a mente é o que o cérebro faz.(nota pessoal;podemos considerar aqui o tipo do DNA,(carbonado ou cristalino) já que as células neuronais são constituídas dos aminoácidos presentes nele). O neurônio e suas ações são para a psicologia o que o átomo e a gravidade representam para a física. Para entender a crença, temos que entender como os neurônios funcionam.
Sinapses e os neurônios da crença
O cérebro é constituído de cerca de 100 bilhões de neurônios de centenas de tipos, cada um deles contendo corpo celular, axônio, numerosos dendritos e terminais axônicos que se ramificam para outros neurônios em aproximadamente mil trilhões de conexões sinápticas entre essas centenas de bilhões de neurônios. Estamos falando de números espantosos. Cem bilhões de neurônios correspondem a 1011, ou 1 seguido de 11 zeros: 100.000.000.000. Mil trilhões de conexões são um quatrilhão, ou 1015, ou 1 seguido de 15 zeros: 1.000.000.000.000.000. O número de neurônios em um cérebro humano é quase o mesmo número de estrelas da Via Láctea – literalmente, um número astronômico! O número de conexões  sinápticas no cérebro é equivalente ao número de segundos contidos em 30 milhões de anos. Pense nisso por um momento. Comece a contar os segundos: “um, dois, três…”. Quando você chegar a 86.400, este é o número de segundos em um dia; quando chegar a 31.536.000, este é o número de segundos em um ano; e quando finalmente chegar a 1 trilhão de segundos, você terá contado os segundos contidos em 30 mil anos. Agora, conte esse bloco de 30 mil anos mil vezes e você terá o número de conexões sinápticas em seu cérebro. Grandes números neuronais exigem maior poder computacional (como adicionar mais memória a seu computador), mas a ação ocorre nos neurônios individualmente.
(nota do Monicavoxblog; Os neurônios são simples e ao mesmo tempo máquinas de processamento de informações eletroquímicas extremamente complexas. Dentro de uma célula neuronal em repouso existe mais potássio do que sódio, e uma predominância de ânions – íons de carga negativa – dá ao interior da célula uma carga negativa. Dependendo do tipo de neurônio, quando se coloca um minúsculo eletrôdo no corpo celular do neurônio em repouso, ele registrará -70 mV (1 milivolt corresponde a 1 milésimo de volt). Nesse estado de repouso, a parede da célula do neurônio é impermeável ao sódio, mas permeável ao potássio. Quando o neurônio é estimulado pela ação de outros neurônios (ou pela manipulação elétrica de neurocientistas curiosos com eletrôdos), a permeabilidade da parede da célula muda, permitindo que o sódio entre e mude o equilíbrio elétrico de -70 mV para 0. Isso se chama potencial pós-sináptico excitatório (EPSP na sigla em inglês).
Sinapse é o minúsculo espaço entre os neurônios, e portanto “pós-sináptico” significa que o neurônio na extremidade receptora do sinal que viaja através da fenda sináptica é o que está sendo excitado para alcançar seu potencial elétrico. Se, pelo contrário, o estímulo vem dos neurônios inibitórios, faz a voltagem mudar de -70 mV a -100 mV, diminuindo o potencial elétrico do neurônio. Isso se chama potencial pós-sináptico inibitório (IPSP). Embora existam centenas de diferentes tipos de neurônios, podemos classificar a maioria deles como excitatórios ou inibitórios.
Se houver EPSPs suficientes (de numerosas descargas neuronais em sequência ou de múltiplas conexões de muitos outros neurônios) para que a permeabilidade da parede da célula do neurônio chegue a um ponto crítico, o sódio penetra, causando um aumento instantâneo de voltagem a +50 mV, que se espalha por todo o corpo celular e se dissemina pelo axônio em direção aos terminais. Com a mesma rapidez, a voltagem do neurônio cai a -80 mV e depois volta aos -70 mV do estado de repouso. Esse processo de permeabilidade da parede celular, com uma correspondente mudança da voltagem de negativa a positiva que atravessa o axônio em direção aos dendritos e suas conexões sinápticas com outros neurônios, é chamado de potencial de ação. Em linguagem coloquial, dizemos que a célula se excitou. Esse acúmulo de EPSPs é chamado de soma, que pode ser de dois tipos: soma temporal, quando dois EPSPs de um único neurônio são suficientes para que o neurônio receptor alcance seu ponto crítico e se excite; e soma espacial, quando dois EPSPs de dois diferentes neurônios chegam ao mesmo tempo e são suficientes para que o neurônio receptor atinja seu ponto crítico e se excite. Essa mudança eletroquímica de aumento de voltagem e permeabilidade ao sódio se propaga do corpo celular aos terminais axônicos, o que se chama, apropriadamente, de propagação. A velocidade de propagação depende de duas condições: do diâmetro do axônio (quanto maior o diâmetro, mais rápida a propagação) e da mielinização (quanto mais espesso o revestimento de mielina que cobre e isola o axônio, mais rápida a propagação do impulso por ele). Observe que, se o ponto crítico para que o neurônio se excite não é atingido, ele não se excita; se o ponto crítico é atingido, o neurônio se excita. É tudo ou nada. Os neurônios não se excitam pouco em resposta a um estímulo fraco, nem se excitam muito em resposta a um estímulo forte. Eles se excitam ou não se excitam. Portanto, os neurônios transmitem informações de uma das seguintes maneiras: por meio da frequência de excitação (o número de potenciais de ação por segundo), da localização da excitação (que neurônios se excitam) e do número de excitações (quantos neurônios se excitam). Por isso, costuma-se dizer que os neurônios são binários, da mesma forma que os dígitos binários de um computador – 1 ou 0 –, o que corresponde a um sinal de “ligado” ou “desligado” sendo transmitido ou não ao longo de um caminho neural.
Se considerarmos esses estados de ligado ou desligado um tipo de estado mental, com um neurônio nos dando dois estados mentais (ligado ou desligado), então o cérebro tem 2 x 1.015 escolhas possíveis para processar a informação sobre o mundo e o corpo que ele comanda. Como captamos apenas uma minúscula fração desse número, o cérebro – para todos os propósitos – é uma máquina infinita de processamento de informações. Como é que os neurônios e seu potencial de ação criam pensamentos e crenças complexos? Tudo começa com algo chamado de ligação neural. A expressão “círculo vermelho” pode servir de exemplo de duas entradas (inputs) neurais (“círculo” e “vermelho”) ligadas na percepção de um círculo vermelho. Entradas neurais que ocorrem mais perto dos músculos e órgãos sensoriais convergem como se se movessem através de zonas de convergência, que são as regiões do cérebro que integram as informações provenientes de várias entradas neurais (olhos, ouvidos, tato e assim por diante), de modo que a pessoa tenha a experiência de um objeto inteiro, em vez dos incontáveis fragmentos de uma imagem. Mas a ligação neural envolve muito mais que isso. Centenas de preceptos podem fluir para o cérebro provenientes de vários sentidos, que podem se ligar para que as áreas superiores do cérebro dêem sentido a tudo isso. Grandes áreas do cérebro, como o córtex cerebral, coordenam entradas das áreas menores do cérebro, como os lobos cerebrais, que por sua vez coordenam entradas de áreas ainda menores, como o giro fusiforme (responsável pelo reconhecimento facial). Essa redução se processa continuamente até o nível neuronal, no qual neurônios altamente seletivos só se excitam quando o sujeito vê algo que conhece. Existem neurônios que só se excitam quando um objeto atravessa seu campo visual da esquerda para a direita. Há outros neurônios que só se excitam quando um objeto atravessa seu campo visual da direita para a esquerda. E existem ainda neurônios que só têm potencial de ação quando recebem inputs EPSP de outros neurônios que se excitam em resposta a objetos que cruzam seu campo de visão em diagonal. E assim o processo de ligação se dá ao longo das redes.
Naturalmente, não temos consciência do funcionamento de nossos sistemas eletroquímicos. O que na verdade experimentamos é o que os filósofos chamam de qualia, ou estados subjetivos de pensamentos e sentimentos que brotam da concatenação de eventos neurais. Mas até mesmo a qualia é um efeito da ligação neural que integra entradas de incontáveis redes neurais. É verdade que tudo se reduz ao processo eletroquímico de potenciais de ação neuronais, ou de neurônios que se excitam e se comunicam, transmitindo a informação. Como eles fazem isso? Trata-se de mais química. A comunicação de neurônios ocorre naquela minúscula fenda sináptica entre eles. Quando o potencial de ação de um neurônio percorre o axônio e atinge as terminações, libera na sinapse minúsculas quantidades de substâncias químicas transmissoras (CTS na sigla em inglês). Quando absorvida por um neurônio, a CTS atua como um EPSP em relação à voltagem e permeabilidade do neurônio pós-sináptico, com isso fazendo-o excitar-se e propagar seu potencial de ação por seu axônio e pela rede neural. Quando alguém dá uma topada em um dedo, o sinal de dor viaja ao longo do circuito, dos receptores de dor existentes nos tecidos do dedo até o cérebro, que registra a dor e processa o sinal para outras áreas do cérebro, que enviam sinais adicionais para que os músculos se contraiam e o pé se afaste do objeto que causou a dor, tudo a uma velocidade que parece quase instantânea.

Existem muitos tipos de substâncias químicas transmissoras (CTS). As mais comuns são as catecolaminas e incluem a dopamina, a norepinefrina (noradrenalina) e a epinefrina (adrenalina). As CTS funcionam como chaves para as fechaduras do neurônio pós-sináptico. Se a chave servir e girar, o neurônio se excita; caso contrário, a porta permanece fechada e o neurônio pós-sináptico continua imóvel. Como construímos um sistema completo a partir de uma substância química transmissora como a dopamina e ligamos os inputs em um sistema de crença integrado? Por meio do comportamento. Lembre-se de que a função primária do cérebro é fazer o corpo funcionar e ajudá-lo a sobreviver. Uma maneira de fazer isso é pelo aprendizado por associação, ou padronicidade. Por ela se dá a ligação dos potenciais de ação neuronais com a ação humana.
Dopamina: a droga da crença
De todas as substâncias químicas transmissoras que fluem ao redor de nosso cérebro, parece que a dopamina está mais diretamente relacionada com os correlatos neurais da crença. A dopamina é de fato fundamental no aprendizado por associação e no sistema de recompensa do cérebro que Skinner descobriu pelo processo de condicionamento, segundo o qual qualquer comportamento que é reforçado tende a se repetir. O reforço é, por definição, compensador para o organismo; isso é o mesmo que dizer que ele faz o cérebro levar o corpo a repetir o comportamento para obter outra recompensa positiva.
Vejamos como funciona.
No tronco encefálico – uma das partes do cérebro mais antigas evolucionáriamente, partilhada por todos os vertebrados – existem vesículas com cerca de 15 mil a 25 mil neurônios produtores de dopamina de cada lado, que se projetam ao longo dos axônios, conectando-se com outras partes do cérebro. Esses neurônios estimulam a liberação de dopamina sempre que uma recompensa esperada é recebida, o que faz o indivíduo repetir o comportamento. A liberação de dopamina é uma espécie de informação, uma mensagem que diz ao organismo: “Faça isso de novo”. A dopamina produz a sensação de prazer que acompanha a realização de uma tarefa ou a de um objetivo, o que faz o organismo querer repetir o comportamento, seja ele empurrar uma barra, bicar uma chave ou puxar a alavanca de uma máquina. Você recebe um reforço e seu cérebro recebe uma dose de dopamina.
Comportamento- reforço-comportamento: a sequência se repeteA dopamina, porém, tem as suas vantagens e desvantagens. Do lado positivo, a dopamina tem sido ligada a um feixe de neurônios do tamanho de um amendoim, localizado no meio do cérebro: o nucleus accumbens (NAcc), que se sabe estar associado à recompensa e ao prazer. Na verdade, a dopamina parece alimentar o chamado centro do prazer no cérebro, que está envolvido na “euforia” derivada tanto da cocaína quanto do orgasmo. Esse “centro de prazer” foi descoberto em 1954 por James Olds e Peter Milner, da McGill University, que instalaram acidentalmente um eletrodo no NAcc de um rato e descobriram que o roedor ficou muito energizado. Então criaram um aparato, de modo que, sempre que um rato pressionasse uma barra, ela gerava um pequeno estímulo elétrico. Os ratos empurraram a barra até o colapso, a ponto de abdicar de alimento e água.
Desde então, o efeito foi encontrado em todos os mamíferos testados, incluindo pessoas que tinham passado por uma cirurgia cerebral e tiveram seu NAcc estimulado. A palavra que os cientistas usaram para descrever o efeito foi “orgasmo” Hoje, esse é o exemplo típico de reforço positivo; Infelizmente, existe uma desvantagem na dopamina, que é a dependência. Drogas que causam dependência assumem o papel dos sinais de recompensa. Jogo, pornografia e drogas fazem o cérebro se inundar de dopamina em resposta. Assim, criam idéias de dependência, principalmente más idéias, como as propagadas por cultos que levam a suicídio em massa (lembrem-se de Jonestown e da Porta do Paraíso) ou as defendidas por religiões que levam a ataques suicidas .
Uma importante advertência sobre a dopamina: os neurocientistas fazem distinção entre “gostar” (prazer) e “querer” (motivação) e existe um acalorado debate sobre se a dopamina atua para estimular o prazer ou motivar o comportamento. Um reforço positivo pode levar à repetição do comportamento porque a pessoa se sente bem (puro prazer de obter a recompensa) ou porque ela se sente mal se o comportamento não se repete (motivação para evitar a ansiedade de não obter a recompensa). A primeira recompensa está ligada ao puro prazer de, digamos, um orgasmo, enquanto a segunda está ligada à ansiedade da dependência, quando a próxima dose é dúvida.
A pesquisa citada acima defende a tese do prazer, mas novas pesquisas fizeram cientistas pender para a tese da motivação. Russel Poldrack, neurocientista da UCLA [Universidade da Califórnia, em Los Angeles] disse que, baseado nesses novos dados, suspeita-se que “o papel da dopamina esteja na motivação e não no prazer em si, enquanto os opiáceos parecem ser fundamentais para o prazer”. Ele afirma, por exemplo, que “se pode bloquear o sistema da dopamina em ratos e eles continuam desfrutando as recompensas, mas não trabalham mais para obtê-las”. Trata-se de uma distinção sutil, mas importante. Para nosso propósito de entender os correlatos neurais da crença, o importante é que a dopamina reforça comportamentos, crenças e a padronicidade, e é portanto uma das primordiais drogas da crença.
Como nosso cérebro nos convence de que estamos sempre certos
Uma vez que criamos uma crença e nos comprometemos com ela, nós a mantemos e reforçamos com fortes heurísticas cognitivas que garantem que ela está correta. Uma heurística é um método mental de resolver um problema pela intuição, pela tentativa e erro, ou um método informal quando não existe meio formal ou fórmula para resolvê-lo (e muitas vezes mesmo quando ele existe). Essas heurísticas são às vezes chamadas de regras empíricas, embora sejam mais conhecidas como desvios cognitivos, porque quase sempre distorcem a percepção para fazê-la se encaixar em conceitos pré-concebidos. 
Crenças configuram percepções. Não importa que sistema de crenças esteja funcionando – religiosas, políticas, econômicas ou sociais –, esses desvios cognitivos moldam a maneira como interpretamos a informação que chega por intermédio de nossos sentidos e dão uma forma adequada à maneira como queremos que o mundo seja, e não necessáriamente como ele realmente é. Chamamos esse processo de confirmação de crençaExistem heurísticas cognitivas específicas que operam para confirmar nossas crenças. Quando integradas aos processos de padronicidade ou acionalização, essas heurísticas confirmam a tese de que as crenças se formam por uma variedade de razões subjetivas, emocionais, psicológicas e sociais, e depois são reforçadas, justificadas e explicadas com argumentos racionais.
Resultado de imagem para imagens sobre a crença e o cerebroVisão pessoal…
É justamente na relação da realidade com as nossas disposições psicológicas que encontramos a chave não apenas para o problema das ideias estranhas acalentadas por membros da nossa espécie, mas também para a questão mais geral de por que acreditamos. Shermer propõe um modelo que chama de realismo dependente da crença. O cérebro, sustenta o autor, é uma máquina de gerar crenças. Elas vêm em primeiro lugar; é só em seguida que elaboramos as explicações que as justificam. De maneira muito simplificada, o processo envolve uma interação do mundo externo com as preferências humanas inatas. Dados sensórios inundam continuamente nosso cérebro, que passa a buscar e encontrar padrões nas coisas. Nossa mente tem fome de padrão. Ela liga os pontos, até que as informações desconexas recebidas por nós formem padrões com a aparência de fazer sentido. Essa é a base das nossas crenças. E, formadas as crenças, o cérebro passa a procurar evidências que as confirmem, desprezando as que as desmintam. É um processo de feedback positivo, no qual idéias, independentemente de estarem certas ou não, vão-se reforçando. Apesar da preponderância que dá às crenças, Shermer não é um idealista radical, do tipo que acredita que uma árvore ao cair na floresta só faz barulho se houver alguém para escutá-la. A realidade, diz ele, existe independentemente de nossa mente, mas nossa compreensão dessa realidade é determinada não só pelas crenças como também pelas emoções que experimentamos no instante de presenciá-las.Ora, bonito exemplo de como isso funciona é o de Galileu. O pai da ciência moderna avistou Saturno em seu telescópio e o descreveu, para sua própria surpresa, como “três estrelas juntas”. É que, sem uma teoria para explicar os anéis, tudo o que podia ver era uma esfera maior cercada por duas um pouco menores. Para demonstrar o fundamento desse modelo de realismo dependente da crença, o autor, que é psicólogo, nos oferece trinta anos de pesquisas – suas e de outros cientistas ; Busca exemplos em áreas tão diversas como política, economia e religião. . Em vez de simplesmente declarar que o povo que acredita em óvnis tem um “parafuso a menos”, ele mostra que as pessoas podem ser perfeitamente normais e muito inteligentes. A sensação de ter experimentado um encontro interplanetário, entretanto, é tão real que muitas vezes acaba transformando a vida das pessoas. E essas sensações podem ser explicadas por mecanismos neurológicos, em geral, mas não necessáriamente, associados a condições extremas como estresse, fadiga, altitude, frio. A questão, diz Shermer, é o que motiva cientistas a realizar essa busca; a psicologia por trás da esperança de que pode haver outros seres intencionais em outros mundos, o que tornaria ainda mais universais os princípios da física e da biologia que descobrimos. Para o autor, aqui, como em tudo o mais, a crença vem antes. Estamos interessados em encontrar explicações últimas para tudo porque nosso cérebro foi desenhado para encontrar padrões e agentes mesmo onde eles não existem. É só a ciência, que considera nulas todas as hipóteses até que sejam validadas – e apenas provisóriamente – por um método rigoroso, que nos impede de transformar nossos” delírios” em “verdades”. 
Inspiração…
Monicavox
Recomendo….
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Fonte:https://monicavoxblog.wordpress.com/2017/07/11/o-cerebro-e-uma-maquina-de-crencas/

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