TRIBUTO AO MARAVILHOSO PROFETA DO AMOR,O ESCRITOR E POETA LIBANÊS DE INFLUÊNCIA SUFISTA KHALIL GIBRAN

Há 130 Anos nascia Gibran Khalil Gibran


Gibran Khalil Gibran (1883-1931) foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa.
Seus escritos, eivados de profunda e simples beleza e espiritualidade, alcançaram a admiração do público de todo o mundo.

Este ano completa-se 130 anos do nascimento de Gibran Khalil Gibran, e no último dia 10 de Abril, completou 82 anos de seu falecimento. Em sua homenagem, essa edição cultural é um especial dedicado a Gibran...

Gibran Khalil Gibran nasceu em 6 de janeiro de 1883, em uma católica família maronita da histórica cidade de Bsharri, no norte do  Líbano. Nesta época, o Líbano era uma província turca, pertencente ao domínio otomano. Porém, Bsharri, pátria dos maronitas, fazia parte do Monte Líbano, uma região autônoma e independente, desde 1861, em virtude dos constantes conflitos entre drusos e maronitas, que levaram a diplomacia europeia a pressionar o sultão Abdulmecid I a dividir o país, por religiões. 

Sua mãe, Kamileh Rahmeh, era filha de um prestigiado sacerdote maronita de Bsharri, chamado Istiphan Rahmeh. Ela era descrita como uma mulher graciosa, fina com uma ligeira palidez nas bochechas, e uma sombra de tristeza em seus olhos. Kamileh tinha uma bela voz para cantar, e era uma pessoa religiosa e muito devota. Quando ela atingiu a idade núbil, ela foi casada com um primo de seu próprio clã, chamado Hanna Abd Al-Salaam Rahmeh. 

No entanto, como muitos libaneses de seu tempo, ele emigrou para o Brasil, em busca de fortuna, mas enquanto estava lá, ele morreu, deixando Kamileh e o filho pequeno, Boutros (Pedro), sozinhos. Algum tempo depois da morte de Hanna Rahmeh, Kamileh já com 30 anos, casou-se com Khalil Gibran, e com ele, Kamileh teve Gibran, e duas filhas: Marianna em 1885, e Sultanah, em 1887. Devido à pobreza de sua família, Gibran não recebeu educação formal, os sacerdotes locais o visitavam, e o ensinavam religião, árabe e língua siríaca. 

Gibran foi uma criança solitária e pensativa, que apreciava a paisagem natural da cidade, as montanhas, a cascata, o vale do Qadisha, os vilarejos vizinhos, e os cedros, cuja beleza influenciou dramaticamente, seus desenhos e escritos. Aos dez anos, Gibran caiu de um penhasco, e feriu o ombro esquerdo, que permaneceu fraco para o resto de sua vida. Sua família amarrou uma cruz em torno do ombro durante 40 dias, o que fez com que Gibran se lembrasse das peregrinações de Cristo no deserto. Desde pequeno, Gibran foi apaixonado por desenho, no inverno, se não havia papel na casa para desenhar, ele passava horas desenhando formas e figuras na neve fresca. 

Aos quatro anos, ele cavou alguns buracos no chão, e cuidadosamente plantou minúsculos pedaços de papel, esperando que a safra do verão lhe fornecesse uma oferta abundante de papel. Quando ele tinha cinco anos, ele recebeu um canto em sua pequena casa, que ele rapidamente preencheu com uma loja de sucata perfeita, com pedras, anéis, plantas, e uma coleção de lápis de cor. Se ele ultrapassava o papel quando estava desenhando, ele improvisava, e continuava seus desenhos nas paredes. Um de seus maiores prazeres era criar imagens em chumbo, usando velhas latas de sardinha. Ele costumava colocar o chumbo no fogo para derreter, e em seguida, preenchia as duas metades da lata com areia fina, e úmida. Em seguida, pressionando a imagem entre os dois, ele raspava a areia espremida, colocando as duas metades juntas novamente, e despejando o chumbo no molde, até que a imagem esfriasse. 


Inovador e curioso, Gibran sempre inventava, e criava coisas. Aos seis anos, ele ficou fascinado por uma imagem de Leonardo da Vinci, que lhe foi dada por sua mãe. Ele nunca se esqueceu desse dia, e da paixão que ele sentiu naquele instante, com a descoberta daquele “homem incrível”, que agiu em Gibran “como uma bússola em um navio perdido nas brumas do mar”, despertando nele, o desejo de se tornar um artista. Durante toda a sua vida, ele foi fascinado tanto pela personalidade, quanto pela arte de Da Vinci.

Apesar das discussões que muitas vezes irrompiam em sua casa, Gibran lembrava-se dos dias mais felizes, quando ele acompanhava seus pais em seus passeios pelo norte do Líbano. Quando ele tinha oito anos, seus pais o levaram para ver o mar pela primeira vez. Ele lembrava-se, já na idade adulta, das impressões que ele teve, vividamente: "O mar estava diante de nós. O mar e o céu eram de uma só cor. Não havia horizonte, e a água estava cheia de grandes navios à vela do Leste, com tudo pronto. Enquanto passávamos atrás das montanhas, de repente eu vi o que parecia um céu imensurável, e os navios de vela nele". Em outra ocasião, seus pais o levaram às ruínas de Baalbek, a Cidade do Sol, na cidade de Baal. Em uma floresta perto das ruínas imponentes, e em meio ao silêncio assustador do santuário, a família acampou por quatro dias. 

Certa manhã, no pórtico de um antigo templo, Gibran encontrou um homem solitário, sentado no cilindro de uma coluna caída, olhando para o leste. Ele ousado o suficiente para lidar com o estranho, perguntou o que ele estava fazendo.  - "Eu estou olhando para a vida", foi o que o homem lhe respondeu.  - "E isso é tudo?", perguntou Gibran. - "E não é o suficiente?" perguntou-lhe o homem. Memórias como esta, ficaram com Gibran por toda a sua vida, e a "Cidade do Sol", foi citada em muitos de seus primeiros escritos. 

O pai de Gibran, um homem forte, robusto, com pele clara e olhos azuis, que havia recebido apenas o ensino fundamental, era um homem de considerável encanto físico, e um dos homens fortes da cidade, muito temido pela família, e nada amoroso. Ele trabalhava numa farmácia, mas o álcool e o vicio por jogos de azar, fizeram-no contrair dívidas, o que acabou levando-o a trabalhar num cargo administrativo para os otomanos. Porém, em 1891, após diversas reclamações, ele foi removido do cargo e investigado, e na sequência, preso por peculato. A propriedade da família foi confiscada pelas autoridades e Gibran, juntamente com sua família, foi morar com familiares.  

Kamileh tinha um temperamento forte, e mesmo após a libertação do marido, em 1894, estava decidida a seguir o irmão, e mudar-se para o EUA. O pai de Gibran não quis acompanhá-los, e Kamileh partiu sozinha com os filhos para os EUA, em Junho de 1895. Já em território americano, a família estabeleceu-se no extremo sul de Boston, onde Kamileh começou a trabalhar como vendedora ambulante de rendas, roupas de cama, e também como costureira. Crescendo em outro período empobrecido de sua vida, Gibran se lembrava do sofrimento dos primeiros anos, que deixou uma marca indelével em sua vida, e então ele passou a reinventar suas memórias de infância, dissipando a sujeira, a pobreza e os insultos. 

O trabalho das instituições de caridade, nas áreas de imigrantes pobres, permitia que os filhos de imigrantes frequentassem as escolas públicas. Gibran foi o único membro de sua família a frequentar a escola, em Setembro de 1895, ao contrário de suas irmãs que, devido às tradições do Oriente Médio, e dificuldades financeiras ficaram em casa.  Gibran foi matriculado numa classe especial para imigrantes, para aprender inglês, e erroneamente ele  foi registrado como “Kahlil Gibran”, um fato que se manteve inalterado por toda sua vida, mesmo após inúmeras tentativas de restaurar seu nome completo.  


Com o trabalho árduo de Kamileh, e o apoio emocional que ela oferecia aos filhos, uniu a pequena família, que superou as dificuldades financeiras, e permitiu inclusive, que Pedro abrisse uma loja de artigos onde as irmãs podiam trabalhar com ele. O introvertido e pensativo Gibran, pôde se misturar à vida social de Boston e explorar o mundo da arte e da literatura, e sua curiosidade o expôs ao rico mundo do teatro, da ópera e de galerias artísticas. Incitado pelas cenas culturais em torno dele, e através de seus desenhos, um hobby que ele tinha desde a infância no Líbano, Gibran chamou a atenção de seus professores, que viram um futuro artístico para o menino. 

Em 1896, entraram em contato com Fred Holland Day, um artista, editor, e fotógrafo, que passou a incentivar e apoiar Gibran, abrindo assim, seu mundo cultural e o colocando-o no caminho para a fama artística. Fred Holland Day introduziu Gibran na mitologia grega, na literatura mundial, nos escritos contemporâneos e na fotografia, sempre cutucando o curioso libanês, a buscar a autoexpressão. A educação liberal, e a exploração artística não convencional de Day, influenciou Gibran, e levantou sua autoestima, que havia sido machucada pelo tratamento que ele havia recebido por ser um imigrante, além da pobreza pela qual ele havia passado.  

Gibran era um rápido aprendiz e devorava tudo o que Day lhe dava para ler, mesmo tendo dificuldades no inglês, sua primeira crença religiosa proferida, após uma leitura oferecida por Day foi: “Eu não sou um católico, eu sou um pagão”.  Gibran, sempre incentivado por Day, passou a aprimorar seus desenhos, e a desenvolver sua própria técnica e estilo, e alguns de seus desenhos acabaram se tornando capas de alguns livros publicados na editora de Day, em 1898, o que trouxe a Gibran, uma fama em idade precoce. 
Todavia, Kamileh e Pedro, queriam que ele absorvesse mais de sua própria herança, e não apenas a cultura estética ocidental da qual ele estava tão atraído, além da preocupação com o sucesso precoce que ele vinha ganhando, e que poderia lhe causar problemas futuros. 

Decidiram então que Gibran deveria voltar para o Líbano, para terminar seus estudos e aprender o árabe. Então, aos 15 anos, Gibran voltou à sua terra natal para estudar numa escola maronita de preparação ao ensino superior em Beirute, chamada “Madrasat Al-Hikma” (A Sabedoria). 

Gibran se recusou a cumprir o currículo paroquial, exigindo que fosse feita uma restauração na sua grade individual, de acordo com suas necessidades educacionais, um gesto indicativo da natureza rebelde e individualista de Gibran. No entanto, a escola concordou com seu pedido, editando o material do curso ao agrado dele, que decidiu mergulhar na língua árabe bíblica, intrigado com seu estilo e escrita. 

Como estudante, Gibran deixou uma ótima impressão em seus professores e colegas, que ficaram impressionados com o seu comportamento estranho e individualista, sua autoconfiança, e seu cabelo longo, não convencional. Seu professor de árabe viu nele "um coração amoroso, mas controlado, uma alma impetuosa, uma mente rebelde, um olho zombando de tudo o que via". O ambiente rigoroso e disciplinado da escola não agradava Gibran, que violava os deveres religiosos, ignorava as aulas, e desenhava nos livros. Na escola Gibran conheceu Joseph Hawaik, e juntos criaram uma revista estudantil intitulada “Al-Manarah”, onde Gibran fazia a parte de ilustração. 

Enquanto isso, Josephine Peabody, uma jovem de 24 anos, que chamou a atenção de Gibran durante uma das exposições de Day, ainda em Boston, ficou intrigada com o jovem artista que dedicou um desenho para ela, e começou a se corresponder com Gibran no Líbano. Eles ficaram envolvidos romanticamente, através de correspondências, por muitos anos. Gibran terminou a faculdade em 1902, fluente em árabe e francês, e com um excelente currículo, especialmente em poesia. Sua relação com o pai se deteriorou, e ele foi morar com um primo pobre, situação que remexeu nas suas piores lembranças, que ele tanto detestava, e sentia vergonha. Sua segunda fase de pobreza no Líbano se agravou com a notícia da doença de sua família em Boston; cerca de duas semanas antes de voltar para Boston, sua irmã Sultanah de 14 anos, morreu de tuberculose, e no ano seguinte, Pedro e sua mãe morreram de câncer. 

Cronologia resumida da obra e trajetória artística de Gibran:

1903-1908 - De novo em Boston, Gibran escreve poemas e meditações para o 'Al-Muhajer' (O Emigrante), jornal árabe publicado em Boston. Seu estilo novo, cheio de música, imagens e símbolos, atraiu a atenção do mundo árabe, nessa época, ele desenhava e pintava numa arte mística, que lhe era própria. Uma exposição de seus primeiros quadros despertou o interesse de uma diretora de escola americana, chamada Mary Haskell, que lhe ofereceu custear seus estudos artísticos em Paris.

1908-1910 - Em Paris, ele estudou na Académie Julien, e trabalhou freneticamente, além de ter frequentado museus, exposições e bibliotecas. Conheceu Auguste Rodin. Uma de suas telas foi escolhida para a Exposição das Belas-Artes de 1910. Neste ínterim, morreu seu pai. Voltou a Boston e, no mesmo ano, mudou-se para Nova York, onde permaneceu até o fim de sua vida. Morava só, num apartamento sóbrio, que ele e seus amigos chamam de 'As-Saumaa' (O Eremitério). Mariana, sua irmã, permaneceu em Boston. Em Nova York, Gibran reuniu em torno de si, uma plêiade de escritores libaneses e sírios, que embora estabelecidos nos EUA, escreviam em árabe com idênticos anseios de renovação. O grupo formou uma academia literária que se intitulava 'Ar-Rabita Al-Kalamia' (A Liga Literária), e que muito contribuiu para o renascimento das letras árabes. Seus porta-vozes foram, sucessivamente, duas revistas árabes editadas em Nova York: 'Al-Funun' (As Artes) e 'As-Saieh' (O Errante).

1905-1920:  Gibran escreveu quase que exclusivamente em árabe, e publicou sete livros nessa língua: em 1905, “A Música”; em 1906, “As Ninfas do Vale”; em 1908, “As Almas Rebeldes”; em 1912, “Asas Partidas”; em 1914, “Uma Lágrima e um Sorriso”; em 1919, “As Procissões”; e em 1920, “Temporais”. Após sua morte, foi publicado um oitavo livro, sob o título de “Curiosidades e Belezas”, composto de artigos e histórias já publicadas em outros livros, e de algumas páginas inéditas.

1918 – 1931: Gibran, nesta época, havia parado de escrever em árabe, e dedicou-se ao inglês, no qual produziu também oito livros: em 1918, “O Louco”; em 1920, “O Precursor”; em 1923, “O Profeta”; em 1927, “Areia e Espuma”; em 1928, “Jesus, o Filho do Homem”; e em 1931, “Os Deuses da Terra”. Após sua morte, foram publicados mais dois: em 1932, “O Errante”; em 1933, “O Jardim do Profeta”. Todos os livros de Gibran foram lançados por Alfred A. Knopf, um dinâmico escritor americano, com inclinação para descobrir e lançar novos talentos. Ao mesmo tempo em que escreveu, Gibran se dedicou a desenhar e pintar. Sua arte, inspirada no mesmo idealismo que lhe inspirou os livros, distinguiu-se pela beleza e a pureza de suas formas. Todos os seus livros em inglês foram por ele ilustrados, com desenhos evocativos e místicos, de interpretação às vezes difícil, mas de profunda inspiração. Seus quadros foram expostos várias vezes, com êxito, em Boston e Nova York. Seus desenhos de personalidades históricas são também célebres.

Estilo e temas recorrentes:
Gibran era um grande admirador do poeta e escritor, Francis Marrash,  cujas obras ele tinha estudado em Al-Hikma, escola em Beirute. De acordo com o orientalista, Shmuel Moré, as próprias obras de Gibran ecoavam o estilo de Marrash, muitas de suas ideias, e às vezes, até mesmo a estrutura de algumas de suas obras. Muitos dos escritos de Gibran lidavam com o cristianismo, especialmente sobre o tema do amor espiritual. Mas o misticismo foi uma convergência de várias influências diferentes: o cristianismo, o islamismo, o sufismo, o hinduísmo e a teosofia. Ele escreveu: "Você é meu irmão, e eu te amo, eu te amo quando você prostra-se em sua mesquita, e ajoelha-se em sua igreja e reza em sua sinagoga. Você e eu somos filhos de uma só fé, o Espírito". 


Recepção e influência:

A mais conhecida obra de Gibran é “O Profeta”, um livro composto por vinte e seis ensaios poéticos. Sua popularidade cresceu durante os anos 60, porém ele foi publicado pela primeira vez em 1923. O livro “O Profeta”, nunca esteve fora dos catálogos, e foi traduzido em mais de quarenta idiomas, é um dos livros mais vendidos do século XX, nos Estados Unidos. 

Concepções Religiosas:
Embora criado como um cristão maronita, Gibran, como um árabe, foi influenciado não só pela sua própria religião, mas também pelo Islã e, especialmente, pela mística dos sufis. Seu conhecimento da história sangrenta do Líbano, com suas lutas entre facções destrutivas, reforçou sua crença na unidade fundamental das religiões. 


Pensamento Político:
Gibran não era um político, e costumava dizer: "Eu não sou um político, nem desejo de se tornar um, poupe-me dos acontecimentos políticos e lutas de poder, como toda a terra é minha pátria e todos os homens são meus compatriotas". Porém, o nacionalismo viveu em sua mente, mesmo na fase tardia, lado a lado com o internacionalismo. 

A partir de 1923, Gibran desenvolveu um estreito relacionamento de correspondências com uma poetiza libanesa, chamada May Ziade. De fato as correspondências começaram por volta de 1912, quando ela lhe escreveu para falar como ela havia sido tocada pela história de Selma Karameh, no livro “The Broken Wings”.  May era uma escritora intelectual, e defensora ativa da emancipação feminina, nascida na Palestina, onde recebeu educação clássica num colégio de freiras, ela mudou-se para o Cairo, onde seu pai iniciou um jornal. Semelhante a Gibran, ela era fluente em árabe, inglês e francês, e desde 1911 ela começou a publicar seus poemas sob o pseudônimo de “Isis Copia”. Ela achou “The Broken Wings” muito liberal até para seus próprios gostos, mas a questão das mulheres movia sua vida, a paixão entre ela e Gibran era comum.

May passou a substituir Haskell, como editora nos anos seguintes, e em 1921, Gibran recebeu uma foto dela, eles se corresponderam até os últimos dias de vida de Gibran. O papel de Haskell na carreira literária de Gibran foi diminuindo lentamente, mas ela o socorreu quando ele fez alguns maus investimentos, ela sempre lidou com assuntos financeiros, e sempre esteve presente para livrar Gibran de sua péssima administração financeira.  Mesmo quando ela se mudou para o sul, para se casar com um fazendeiro, ele ainda continuou a confiar nela, inclusive sobre a pretensão de dar continuidade ao livro “O Profeta”, cuja segunda parte deveria se chamar “O Jardim do Profeta”, e a terceira parte, “A Morte do Profeta”. Devido ao seu estado de saúde, que foi começou a se deteriorar, e de sua preocupação com a escrita de seu maior livro em inglês, “Jesus, o Filho do Homem” a continuação de “O Profeta” foi colocada de lado.

Gibran contratou uma nova assistente, para substituir Haskell, chamada Henrietta Breckenridge, que desempenhou um papel importante após a sua morte. Ela organizou suas obras, ajudou a editar seus escritos, e conseguiu seu estúdio para ele. Em 1926, Gibran tornou-se uma figura de renome internacional, uma posição que era do seu agrado. Na época, ele tinha começado a trabalhar em um novo livro em inglês, “Lázaro e Sua Amada”, que foi baseado em um trabalho árabe anterior, e se tratava de uma coleção dramática de quatro poemas contando a história bíblica de Lázaro, sua busca por sua alma, e seu eventual encontro de sua alma gêmea.   

Em 1928, o livro foi lançado, e foi um sucesso, com ótimas críticas, mas a saúde de Gibran começou a se deteriorar ainda mais, e a dor em seu corpo, devido ao seu estado nervoso, aumentava, e isso levou Gibran a procurar alívio no álcool. Logo, beber em excesso, transformou-o em um alcoólatra, no auge do período de proibição de álcool nos EUA. Nesse mesmo ano, Gibran começou a perguntar sobre a compra de um mosteiro em Bsharri, que pertencia a Carmelitas cristãs. 

A saúde mental de Gibran, e seu vício no álcool, o fez desatar a chorar, durante uma noite de homenagem em 1929, onde lamentando a fraqueza de suas obras maduras, ele afirmou que havia perdido o seu poder criativo original. Nessa época, os médicos detectaram que a doença física de Gibran, havia se estendido para os fígados. Evitando o problema, e ignorando os cuidados médicos, ele continuou contando apenas com a bebedeira, e para se distrair ele escreveu “Três Deuses da Terra”, em 1930, e comentou com Haskell de sua intenção em abrir uma biblioteca em Bsharri, enquanto ainda planejava escrever a continuação de “O Profeta”. Ele escreve para May Ziade e revelou o seu medo da morte: “Eu sou, May, um pequeno vulcão, cuja abertura foi fechada". 

Em 10 de abril de 1931, Gibran morreu aos 48 anos, no Hospital São Vicente, em Nova York, o câncer se espalhou em seu fígado, e deixou-o inconsciente. Antes de morrer, ele expressou o desejo de ser enterrado em Bsharri, e deixou uma grande quantia em dinheiro para que fosse enviada ao seu país, para que seus conterrâneos permanecessem no país ao invés de imigrar. 

As ruas de Nova York fizeram uma vigília de dois dias para a honra de Gibran, cuja morte foi lamentada nos EUA e no Líbano. Haskell, Mariana e Henrietta organizaram o estúdio de Gibran e suas obras, separaram livros, ilustrações, e desenhos, para realizar o sonho de Gibran. Marianna e Haskell viajaram em julho de 1931 ao Líbano, para enterrar Gibran em sua cidade natal. 

Os cidadãos do Líbano receberam o caixão com festa, em vez de luto, regozijavam-se pelo seu retorno à sua terra natal, pois a morte de Gibran aumentou sua popularidade. Após o retorno de Gibran, o Ministro libanês de Artes abriu o caixão e honrou o seu corpo, com uma decoração de Belas Artes. Enquanto isso, Marianna e Haskell começaram a negociar a compra do mosteiro carmelita que Gibran pretendia obter.  

Em janeiro de 1932, o mosteiro de Mar Sarkis foi comprado, e Gibran mudou-se para sua última morada. Após sugestão de Haskell, seus pertences, os livros que ele leu, e algumas de suas obras e ilustrações, foram posteriormente, enviados para fornecer uma coleção local no mosteiro, que se transformou em um Museu de Gibran. 


Museu Gibran: 
O antigo Mosteiro de Mar Sarkis, é um museu biográfico em Bsharri, norte do país, há 120 km de Beirute, e dedicado ao artista, escritor e filósofo libanês, Gibran Khalil Gibran. Fundado em 1935, o museu possui 440 pinturas e desenhos originais de Gibran, e guarda o seu túmulo. Também inclui os móveis e pertences de seu estúdio, quando ele morava em Nova York, e seus manuscritos privados. O prédio que abriga o museu e seu túmulo, a pedido de Gibran, tinha para ele um significado espiritual, por ter sido um mosteiro do século VII, do tempo do eremita Mar Sarkis (São Serge). Em 1975, o Comitê Nacional Gibran restaurou e ampliou o mosteiro, para abrigar mais exposições, e em 1995, foi novamente expandido.

Próximo ao túmulo de Gibran está escrito: 

"Eu estou vivo como você, e de pé ao seu lado... Feche os olhos e ao olhar ao redor me verá na sua frente". 



Claudinha Rahme 
Gazeta de Beirute


Fonte: http://www.gazetadebeirute.com/2013/04/ha-130-anos-nascia-gibran-khalil-gibran.html#ixzz4qzQOABqZ 
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Tributo a Gibran, profeta da união com a natureza

Homenagens ao escritor, pintor e 

filósofo libanês incluem lançamento 

de medalha, mostra e debate sobre sua 

obra







Antonio Gonçalves Filho, O Estadao de S.Paulo
27 Março 2008 | 00h00

O libanês Gibran Khalil Gibran (1883-1931) é mais conhecido como autor de um livro que a contracultura dos anos 1960 elegeu como sucedâneo secular da Bíblia: O Profeta. O livro já tinha mais de 40 anos (é de 1923) quando a geração dos Beatles o descobriu, fazendo dele a obra que iria anunciar a "nova era". Best-seller mundial traduzido em 40 idiomas, O Profeta fala de um visionário, Al-Mustapha (o "bem-amado", "eleito", em árabe) que, após ter vivido numa cidade estrangeira, prepara-se para uma viagem que talvez não tenha volta (a morte?), deixando seus discípulos desolados - porém instruídos sobre o amor, a amizade e a liberdade. Como seu profeta, Gibran foi um líder espiritual influente. E não só entre contemporâneos. Sua mensagem atingiu a comunidade artística dos anos 1960 - incluindo o escritor Paulo Coelho, então autor das letras das canções de Raul Seixas. Aluno do escultor francês Rodin, pintor, poeta, filósofo e um dos escritores responsáveis pelo renascimento da literatura árabe no século 20 - ao lado de Ameen Rihani (1876-1940) e Mikhail Naimy (1889-1988) -, Gibran será homenageado, a partir de hoje, com uma série de eventos que comemoram os 125 anos do seu nascimento, começando com um coquetel no Clube Atlético Monte Líbano, hoje, para marcar o lançamento de uma medalha comemorativa pela Casa da Moeda do Brasil e o bilhete da Loteria Federal, que corre no sábado com o retrato impresso de Gibran. Além dessa homenagem, a presidente da Associação Cultural Brasil-Líbano, Lody Brais, conseguiu do Museu Gibran filmes sobre o poeta e artista, que começam a ser exibidos no sábado. Uma exposição com livros, pinturas, cartas e documentos pessoais será inaugurada na sexta no hall do teatro do clube e, no domingo, um busto do escritor será instalado na praça que fica entre as Avenidas República do Líbano e Afonso Brás, em São Paulo. Está também programada uma leitura dos textos de Gibran, seguida de debate sobre sua obra, no dia 3, também no clube. Gibran não escolheu ao acaso o título de seu mais famoso livro. Ele dizia que a ambição de um russo era ser santo e a de um oriental, profeta. E o escritor tentou ser um, escrevendo sobre questões que o perseguiam desde a infância, sendo a principal delas a corrupção dos valores religiosos dentro da igreja (seu avô foi excomungado). De família maronita, Gibran tentou, em O Profeta, unir crenças e filosofias aparentemente inconciliáveis, do sufismo ao pensamento de Nietzsche, passando pela poesia do místico William Blake, sem negligenciar os princípios cristãos que marcariam livros como Jesus - O Filho do Homem (1928), o mais longo de seus títulos e absolutamente original na abordagem do Cristo distante da aura sobrenatural. No entanto, seu papel não se resumiu à criação de aforismos cristãos citados por Paulo Coelho. Graças ao enorme talento literário, Gibran fez amizade com pessoas influentes nos Estados Unidos, onde passou boa parte de sua vida. Sob a proteção da mecenas Mary Elizabeth Haskell, milionária de Boston, Gibran foi estudar em Paris com Rodin. Fez mais: leu Balzac, devorou Voltaire e voltou aos Estados Unidos como militante, decidido a lutar pela independência da Síria, então atrelada ao império otomano. Gibran envolveu-se em campanhas para levantar fundos destinados a socorrer libaneses pobres, dedicando poemas de guerra a seus conterrâneos (como Morto Está Meu Povo, de 1916). Com o fim da guerra, seus escritos se tornaram metafísicos. Gibran passou a defender que poetas e artistas eram mais importantes para a evolução da consciência que os políticos. O poeta como profeta nasce por volta dos anos 1920, quando Gibran publica Temporais, recomendando aos leitores uma distância cautelosa da sociedade e maior apego à natureza. Há quem defenda, no entanto, que O Louco (1918) marcou a virada de Gibran, ao usar o conceito sufi que identifica no isolamento do poeta um sinal de sabedoria contra um mundo cada vez mais insano. Ao propor a união mística com a natureza e resgatar o conceito rousseauniano do homem corrompido pela civilização, Gibran virou herói dos hippies. Mas sua mensagem sobreviveu aos anos 1960. Serviço 125 Anos de Gibran Khalil Gibran. Clube Atlético Monte Líbano. Av. República do Líbano, 2.267, 5088-7070. 3.ª a dom., 14 h às 22 h. Grátis. Até 9/4

Fonte:http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,tributo-a-gibran-profeta-da-uniao-com-a-natureza,146455


KALIL GIBRAN, O SENSÍVEL PENSADOR





O libanês Gibran Khalil Gibran (1883-1931) é muito conhecido no mundo inteiro, sua arte inspirada pela mística e idealismo lhe renderam muitos livros, e distingue-se pela beleza e a pureza das formas.
Influenciado pela mística dos poetas sufis Rumi e Khayyam, dos séculos XI e XII que pertenceram a época de ouro da civilização islâmica, apesar da distância secular estes poetas sensíveis se encontram bem atuais. Bem como, foi influenciado por outras fonte como: Nietzsche, Willian Blake e a Biblia. Nos seus inúmeros livros ele trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza entre outros.
"Asas Partidas" é um livro que se destaca pela sensibilidade, nele o autor fala de sua primeira história de amor.
Outro livro que marcou sua existência foi o “O Profeta”, onde a beleza se fez presente com muita sensibilidade mística.

Depois escreve outros livros que são um tratado sobre a transcendência, como: O Precursor”; “O Louco”Areia e Espuma”; “ Jesus, o Filho do Homem”; “Os Deuses da Terra”. E após sua morte foram publicados mais dois: “O Errante e o “O Jardim do Profeta”. Nestes livros há presença marcante de conceitos sufistas, mostrando o isolamento do poeta como sinal desabedoria, preservação dos valores eternos do Espírito, contra um mundo cada vez mais insano, trazendo a transição da poesia transcendental do Século XIX ao XX. Estas obras fizeram dele um precursor da "Nova Era".




Sua Poesia promove a transmutação da consciência:
O PROFETA
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante entre as praias de vossa alma.
Enchei a taça um do outro, mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto,vibram na mesma
harmonia.
Dai vosso coração,mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida pode conter vosso coração.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente.
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.



DIVINA MÚSICA!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura e do Amor.
Sonho do coração humano, fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância e desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes, confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores e dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros, fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos e a ouvir com os corações.



OS FILHOS 
(Do Livro "O Profeta")
Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.



O AMOR

E alguém disse:
Fala-nos do Amor:
- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amor vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis que tremem ao sol,também penetrará até às raízes sacudindo o seu apego à terra.
Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo, para poderdes ser o pão sagrado no festim de Deus.
Tudo isto vos fará o amor, para poderdes conhecer os segredos do vosso coração,e por este conhecimento vos tornardes o coração da Vida.
Mas, se no vosso medo, buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor, a caminho do mundo sem estações,onde podereis rir, mas nunca todos os vossos risos, e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.
O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo.
O amor não possui nem quer ser possuído.
Porque o amor basta ao amor.
E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos, deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente a cantar a sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor, e sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de amor.
Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do amor.
Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado, e na boca, um canto de louvor.



AINDA ONTEM PENSAVA QUE NÃO ERA

Ainda ontem pensava que não era
mais do que um fragmento trémulo sem ritmo
na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera, e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.
Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita
de um mar infinito."
E no meu sonho eu respondo-lhes:
"Eu sou o mar infinito,
e todos os mundos não passam de grãos de areia
sobre a minha margem."
Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"


AMOR
Quando o amor acenar, siga-o ainda que por caminhos
ásperos e íngremes.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o, livrando-o de sua palha.
Tritura-o, até torná-lo branco.
Amassa-o, até deixá-lo macio;
e, então,submete ao fogo para que se transforma em pão
para alimentar o corpo e o coração!



PÉROLAS LÚDICAS DE KALIL GIBRAN






A sensibilidade e a sabedoria de Kalil Gibran, é uma luz que faísca em cada pensamento desta mente clarificada pela lucidez espiritual. Forte como um rasgo de criatividade que ensina com o lúdico na arte de viver. Cada mensagem caleidoscópica mostra o belo a ser realizado no cotidiano, sempre rico em profundidade, simplicidade e de uma beleza ímpar. A sensibilidade e espiritualidade de Gibran ainda toca o coração da humanidade, deixando uma lembrança do inefável e do indizível. Ao escrever este post, fiquei muito sensível e senti grande admiração por este senciente que tocou meu coração suavemente, espero que toquem seus corações com estes pensamentos:

· Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
· Um livro e como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem.
· Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.
· No amor , fiquem juntos , mas não tão juntos, pois os pilares do templo ficam bastantes afastados e o carvalho e o cipreste não crescem um na sombra do outro
· Dizeis: darei só aos que precisam. Mas os vossos pomares não dizem assim; dão para continuar a viver, pois reter é perecer.
· Pode contar seus segredos ao vento, mas depois, não vá culpá-lo por contar tudo às árvores
· O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.
· Todo o trabalho é vazio a não ser que haja amor.
· Trabalho é amor tornado visível.
· A música é a linguagem dos espíritos.
· Cada vez mais desesperadamente o homem procura dilatar o tempo que já não tem.
· Uma voz não pode transportar a língua e os lábios que lhe deram asas. Deve elevar-se sozinha no éter.
· O desgosto é o obscurecimento do espírito e não o seu castigo.
· A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.
· Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.
· As flores desabrocham para continuar a viver, pois reter é perecer.
· A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar.
· O importante para uma pessoa não são os seus sucessos mas sim quanto os deseja.
· O prisioneiro que tem a porta do seu cárcere aberta e não se liberta, é um covarde.
· A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.
· Anda, parar é covardia e olhar para a cidade do passado é ignorância.
· ...Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor. E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.
· A simplicidade é o último degrau da sabedoria.
· O desejo é a metade da vida; a indiferença a metade da morte!
· Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.
· Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.
· Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.
· Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes.
· A música é a linguagem dos espíritos.
· E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.
· Tartarugas conhecem as estradas melhor do que os coelhos.
· Quando você levantar o braço para bater em seu filho, ainda com o braço no ar, pense se não seria mais educativo se você descesse esse braço de forma a acariciá-lo, em vez de machucá-lo.
· Dizeis: darei só aos que precisam. Mas os vossos pomares não dizem assim; dão para continuar a viver, pois reter é perecer.
· Numa só semente de trigo há mais vida do que num montão de feno.




Fonte:http://semfronteirasparaosagrado.blogspot.com.br/2009/07/kalil-gibran-o-sensivel-pensador.html

O Sufismo

Espero que na época da divulgação deste texto, já tenhamos passado da “febre eleitoral” que andou assolando o país. Seja qual for o político ou partido eleito, nosso país continuará o mesmo, pois o que muda um país não são os políticos que o governam, mas sim o povo, com atitudes, respeito ao próximo e o conceito de que não somos uma unidade, somos parte de um todo e só um todo muda as coisas.

Vamos então ao nosso assunto:

Muito pouca gente já ouviu falar nos Dervixes, um grupo de pessoas que dançam em um giro quase perpétuo dentro de uma espécie de estado de transe em que se comunicam com o que diversas pessoas chamam de “Astral Superior”, “Comunicação com o Divino” ou outras denominações, dependendo da base religiosa de quem vê ou conhece o fato. Segundo seus membros, durante este estado, os praticantes entram em contato com a sabedoria universal, Chamada de de Inconsciente Coletivo, segundo seguidores de Jung, ou até mesmo os arquivos Acásicos, onde estão guardados os grandes segredos da sabedoria universal. Os membros são também conhecidos como Amigos da Verdade, os Construtores ou Mestres (como os maçons), Povo do Caminho (como os Essênios pré-Cristãos) e muitas outras denominações.

Quem não leu Khalil Gibran, principalmente sua obra mais famosa “O Profeta”?
Se alguém não leu, eu recomendo fortemente, pois é um livro maravilhoso, e que também contém toda a base da filosofia Sufi. O livro fala de um mestre Sufi, visitando uma cidade e que responde perguntas dos moradores.

Uma das passagens fala:

“.....Depois, uma mulher que trazia uma criança ao colo disse, Fala-nos das Crianças.
E ele respondeu:
Os vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da Vida que anseia por si mesma.
Eles vêm através de vós mas não de vós.
E embora estejam convosco não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor mas não os vossos pensamentos, pois eles têm os seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar os seus corpos mas não as suas almas.
Pois as suas almas vivem na casa do amanhã, que vós não podereis visitar, nem em sonhos.
Podereis tentar ser como eles, mas não tenteis torná-los como vós.
Pois a vida não anda para trás nem se detém no ontem....”

Ás vezes fico pensando: Como pode um texto antigo ser tão atual ? Ainda é muito arraigada aqui no ocidente a idéia de que os filhos são propriedade dos pais, e este texto explica de uma forma poética a realidade dos fatos.

Quem já os viu dançar, fica perplexo, com o tempo em que estas pessoas ficam girando em torno de si mesmas por horas, sem sentirem absolutamente nada.



O primeiro engano das pessoas que tem contato pela primeira vez com o Sufismo, é o de achar que é uma seita mística Muçulmana. Alguns autores também definem a origem com sendo Islâmica, no entanto alguns outros autores, com os quais humildemente concordo, preconizam a existência muito anterior a Maomé. Muitas religiões têm em suas práticas e doutrinas algo do Sufismo. Segundo alguns estudiosos mais “crédulos”, o Sufismo possui mais de 70 mil anos, com existência anterior ao Dilúvio Sumério (A epopéia de Gilgamesh), mas isto é uma teoria que ainda precisa ser aceita pelos meios científicos/acadêmicos. O Sufismo tem penetração até nos contos das Mil e Uma Noites e alguns esotéricos afirmam que Hermes Trismegisto e Zoroastro seriam os seus primeiros mestres.

Segundo Ligia Cabus :,” A Irmandade já existia em Medina quando Muhammad, precursor do Islã, apareceu com seu discurso muito inflamado e mal articulado [no século VII d. C. anos 600]. Todavia, foi na época do alvorecer do Islã que os Irmãos Mestres Construtores adotaram a denominação Sufi, depois de um juramento de fidelidade à causa muçulmana em circunstâncias semelhantes àquelas que constrangeram o mestre Galileu no Vaticano e se retratar e admitir que o globo é plano! Ou seja: Diga o que Eles querem e salve sua vida. “

A origem do termo Sufi, é também discutível, pois alguns lingüistas a definem como uma mistura de Persa, Aramaico, Àrabe e grego. O significado desta palavra pode ser, desde a Túnica utilizada por Jesus Cristo; puros; sábios e até mesmo a contração do termo Ain-Soph da Cabala, que é a sabedoria compartilhada. O pensamento sufista está contido nas idéias de pensadores como Roger Bacon, Raymond Lully, São João da Cruz e outros. O Sufismo é dividido em Ordens, também chamadas de Tariqas, (em torno de 97), espalhadas no continente asiático, oriente médio e áfrica.

Inspirador de muitas sociedades secretas, religiões, pensamentos filosóficos de grandes mestres, o Sufismo Permanece uma filosofia de beleza ímpar, a ainda desafia os maiores eruditos.

“Sufi é aquele que está morto para o Si mesmo e vive da Verdade. Tendo transcendido as limitações humanas, Sufi é aquele que alcançou Deus “ - A. Hujwiri, 1936

“Eu morri como um mineral, uma pedra, e me tornei uma planta
Eu morri como planta e renasci animal
Eu morri como um animal e depois eu era um Homem
E muitas vezes eu morri e vivi como homem
Por quê eu deveria temer me perder na morte?
Todas as vidas passam, até mesmo a vida dos Anjos
Somente Deus é imperecível
Quando deixei de ser uma alma angelical
Eu passei a Ser algo que a mente nem pode conceber
Oh, deixe-me Não-existir; deixe Estar na Não-existência
Deixe-me voltar para Ele “
 - Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī

Fontes:
Encyclopaedia of Occultism. Courier Dover Publications, 2003 - p 127. In Google Books.
GODLAS, Alan. Sufism, Sufis and Sufi Orders. ─ [www.uga.edu/islam/Sufismhtml]
HUJWIRI, A.. The Kashful al-Makhjub, p 30. Londres: Gibb Memorial Trust, 1936
MOSSO, Gelder Manhes. Caminhos do Desconhecido. Mauad Editor, 1899 In Google Books.
KEEP, Marc Andre R.. O Sobrenatural Através dos Tempos. São Paulo:
IBRASA-Proton Editora, sem data ─In Google Books
LePAGE, Victoria. Sufis and The Nine Unknowns, 2007. In [www.victoria-lepage org/sufis_nine_unknowns.htm] .. Shamballa.
SIGNIER, Jean-François e THOMAZO, Renaud. Sociedades Secretas, vol I ─Sociedades Secretas Religiosas. [Trad. Ciro Mioranza]. São Paulo: Larousse,2008
WIKIPEDIA Espanhol. Sufismo. [http://es.wikipedia.org/wiki/Sufismo] Português. Sufismo. pt.wikipedia.org/wiki/Sufismo English. Rumi. Sema. 

Fonte:http://ayltondoamaral.blogspot.com.br/2010/10/o-sufismo.html

Biografia de Khalil Gibran

Gibran Kahlil Gibran nasceu em janeiro de 1883, no Líbano. Em 1894 foi para os Estados Unidos, juntamente com a mãe, o irmão e duas irmãs. Foi aí que passou a adotar a grafia mais simples de Khalil Gibran.
Retornou ao Líbano quatro anos depois, para completar seus estudos árabes. Lá permaneceu até 1902, quando retornou para os EUA.
Nessa época, escreveu poemas e meditações para um jornal árabe publicado em Boston, chamado Al-Muhajer (O Emigrante). Além disso, dedica-se à pintura e uma exposição de seus quadros desperta o interesse de Mary Haskell, uma diretora de escola americana. Mary oferece a Gibran custear seus estudos de artes em Paris.
Então, entre 1908 e 1910, Gibran estudou e trabalhou em Paris. Conheceu, inclusive, o artista Auguste Rodin. Em 1910, uma de suas telas é escolhida para a Exposição de Belas Artes. Foi nesse período também que o autor escreveu algumas de suas obras, como “A Música”, de 1905; “As Ninfas do Vale”, de 1906 e “Espíritos Rebeldes”, de 1908, escritos em árabe.
Posteriormente, foram escritos: “Asas Partidas”, de 1912; “Uma Lágrima e um Sorriso”, de 1914; “A Procissão”, de 1919 e “Temporais”, de 1920.
Mas, a partir de 1918, Gibran passa a escrever mais em inglês, escrevendo mais alguns livros nessa língua: “O Louco”, de 1918; “O Precursor”, de 1920; “O Profeta”, de 1923; “Areia e Espuma”, de 1927; “Jesus, o Filho do Homem”, de 1928 e “Os Deuses da Terra”, de 1931.
Apesar da dedicação aos livros, Gibran não deixou de lado o desenho e a pintura. Todos os seus livros escritos em inglês foram ilustrados pelo autor e seus quadros foram expostos em Boston e Nova York.
O escritor e pintor faleceu em 1931, em Nova York, após uma crise pulmonar.
Os livros “O errante”, O jardim secreto do Profeta” e “Curiosidades e Belezas” foram lançados após a sua morte.

Khalil Gibran

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
Gibran Khalil Gibran (جبران خليل جبران بن ميکائيل بن سعد; em siríaco: ܓ̰ܒܪܢ ܚܠܝܠ ܓ̰ܒܪܢ; Bicharre6 de janeiro de 1883 – Nova Iorque10 de abril de 1931, também conhecido como Khalil Gibran), foi um ensaístafilósofoprosadorpoetaconferencista e pintor de origem libanesa. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe.[1]
Seu nome completo, transliterado para línguas ocidentais (de base alfabética predominantemente neo-latina), é Gibran Khalil Gibran, assim assinando em árabe. No colégio dos Estados Unidos, onde viveu e trabalhou a maior parte de sua vida, um erro de registro reduziu o seu nome para Khalil Gibran.[2]
Em sua relativamente curta, porém prolífica existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental. Sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a BíbliaNietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Escrita em inglês e árabe, expressa as inclinações religiosas e mística do autor. Sua obra mais conhecida é o livro O Profeta, originalmente publicado em inglês e traduzido para cerca de vinte idiomas. Outro livro de destaque é o Asas Partidas, em que o autor fala de sua primeira história de amor.[3]
Gibran Khalil Gibran faleceu em 10 de abril de 1931 (Nova IorqueEstados Unidos), causa mortis dita ser cirrose e tuberculose.[1]

Biografia

Gibran Kahlil Gibran era filho de Khalil ben Gibran, fazendeiro, e de Kamilah Rahmeh, filha do pároco do povoado de Bsherri, onde nasceu.[4] Os pais de Gibran eram maronitas – cristãos de uma seita oriental que, embora devendo obediência ao Papa, difere da Igreja Romana, pela liturgia síria e pelo não celibato do clero.[3]
Aos sete anos de idade, Gibran gostava de isolar-se na gruta do Mosteiro de Mar Sarkis, mais tarde transformado em seu museu[5], para dedicar-se aos desenhos fusain, ou à lápis. Seu pai, homem enérgico e de pouca instrução, o surrava por isso. Em 1894, quando Gibran completava 11 anos, sua mãe, decidida a tentar uma vida melhor para os filhos, mudou-se para Nova York. Na ocasião, o pai de Gibran cumpria prisão por acusação de fraude no recolhimento de impostos. Três anos depois, foi condenado e teve os bens da família confiscados.[4]
De Nova York, com a mãe e seus três irmãos, Gibran foi para Boston e fixou residência em uma comunidade libanesa, próximo a um bairro chinês. Pouco tempo depois, aos 15 anos de idade, voltou para o Líbano e ingressou na escola Al-Hikmat, em Beirute, instituição dirigida pelo clero maronita. Na ocasião, Gibran dedicou-se aos idiomas árabe e francês.[6]
Gibran decide ficar com o pai em Bsherri, durante o verão de 1899. No outono, ao retornar para Boston, onde sua mãe e suas duas irmãs trabalhavam como costureiras, e seu irmão como empregado em uma loja, Gibran não retomou a escola, nem procurou emprego, decidiu concentrar-se na pintura e na literatura.[4]
Em abril de 1902, uma das irmãs de Gibran, Sultana, morreu vítima de tuberculose. Do mesmo modo, perdeu o irmão, Pedro, em março de 1903. Três meses depois, a mãe de Gibran morreu de câncer. Gibran e sua irmã, Mariana, continuam morando em Bostonː ela, sustentando a ambos com a costura; ele, permaneceu escrevendo, desenhando e pintando. Um ano depois, aos 21 anos, Gibran possuía quadros suficientes para realizar uma exposição e, para tanto, contou com a ajuda de um fotógrafo conhecido em Boston, Fred Holland Day, amigo de Mary Haskell.[4]

Cartas para Mary Haskell

Kahlil Gibran e Mary Haskell mantiveram intensa correspondência por mais de vinte anos (1908-1931). Parte das cartas foi publicada pela Editora Alfred A. Knopf, em 1972. No Brasil, o livro foi publicado pela Editora Record com o título "O grande Amor do Profeta: as cartas de Amor de Kahlil Gibran e Mary Haskell e o seu diário particular".[7] Organizado por Virgínia Hilu, com tradução de Valerie Rumjanek, o livro reúne parte da correspondência (325 cartas de Gibran e 290 de Mary Haskell) e 47 páginas do diário de Mary dedicadas aos registros dos seus encontros e conversas sobre arte, literatura, filosofia, religião e outros temas, como amigos, família e a saúde de Gibran.[4]
As cartas registram parte da vida pessoal de Gibran e foram encontradas no seu estúdio por sua biógrafa, Barbara Young, quando ela e Mary Haskell organizavam os papéis e livros do poeta após a sua morte. Mary descobre, então, que, como ela, Gibran também as havia preservado. Gibran conheceu Mary numa exposição de seus quadros, no ano de 1904, em Boston. A partir daí, ela desempenhou importante papel em sua vida. O relacionamento era sabido por poucas pessoas na escola em Cambridge, onde ensinava, e alguns poucos amigos em comum. Gibran não a citava em seus escritos, mas era Mary quem os revisava em grande parte.[4]
Em uma de suas cartas, ele conta para ela como perdeu o pai: "Ele morreu na velha casa onde nasceu há 65 anos. (...) Seus amigos escreveram, contando que me abençoou antes de o fim chegar."[4]

Obras

Obras escritas em árabe

  • Música (al-Musiqah) - 1905
  • Ninfas do Vale (Ara'is al-Muruj) - 1906
  • Asas Quebradas (al.Ajnib al-Mutakassirah) - 1908
  • Espíritos Rebeldes (al-Arwah al-Mutamarridah) - 1908
  • Para Além da Imaginação (1910)
  • Lágrimas e Risos (Dam a wa Ibtisamah) - 1914
  • A Procissão (al Mawakib) - 1919
  • A Tempestade (al-'Awasif) - 1920
  • Em Direcção a Deus (Nawa Allah) - 1920
  • Irão, Cidade de Imponentes Pilares (Iram Dhat al-Imad) - 1921
  • Entre a Noite e a Manhã (al-Badayi' waal-Tara'if) - 1923

Obras originalmente escritas em inglês

  • O Louco (The Madman) - 1918
  • Vinte Desenhos (Twenty Drawings) - 1919
  • O Mensageiro (The Forerunner) - 1920
  • O Profeta (The Prophet) - 1923
  • Areia e Espuma (Sand and Foam) - 1926
  • O Reino da Imaginação (Kingdom of the Imagination) - 1927
  • Jesus, o Filho do Homem (Jesus, the Son of Man) - 1928
  • Os Deuses da Terra (The Earth Gods) - 1931

Algumas obras póstumas

  • O Vagabundo (The Wanderer) - 1932
  • O Jardim do Profeta (The Garden of the Prophet) - 1933
  • O Discípulo de Lázaro (Lazarus and his Beloved) - 1933
  • A Morte do Profeta (The Death of the Prophet) - 1933
  • A Voz do Mestre (The Voice of the Master) - 1963
  • Segredo do Coração (Secrets of the Heart) - 1947

Estátua em homenagem ao escritor em Belo Horizonte-Minas Gerais Brasil

Referências

Ligações externas

Wikiquote
Wikiquote possui citações de ou sobre: Khalil Gibran
Fonte:Wikipédia

Textos de Gibran Calil Gibran


O Amor

E alguém disse:
Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.

Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.

Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.
Khalil GibranQuando o amor acenar,
siga-o ainda que por caminhos
ásperos e íngremes.
Debulha-o até deixá-lo nu.
Transforma-o,
livrando-o de sua palha.
Tritura-o,
até torná-lo branco.
Amassa-o,
até deixá-lo macio;
e,então,submete ao fogo
para que se transforma em pão
para alimentar o corpo e o coração!

O Profeta

Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
Que haja antes um mar ondulante entre as praias de vossas almas.
Encheis a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.
Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vos estar sozinho,
Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

Dai vossos corações, mas não confieis a guarda um do outro.
Pois somente a mão da vida pode conter nossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia;
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente,
E o carvalho e o cipreste não crescem a sombra um do outro.

A dádiva

Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.
Há os que pouco têm e dão-nos inteiramente.
Esses confiam na vida e na generosidade da vida e seus cofres nunca se esvaziam.
Há os que dão com alegria e essa alegria é sua recompensa.
Há os que dão com pena, e essa pena é seu batismo.
E há os que dão sem sentir pena, nem buscar alegria e sem pensar na virtude.
Dão, como num vale o mirto espalha sua fragrância no espaço.
Pelas mãos de tais pessoas Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo.

“Sim, conheci vossas alegrias e vossas mágoas, e quando dormíeis, vossos sonhos eram meus sonhos…
E muitas vezes estive entre vós como um lago no meio das montanhas…”

“Breves foram meus dias entre vós e mais breves ainda as palavras que pronunciei.
Mas se um dia minha voz se desvanecer em vossos ouvidos, e se meu amor se evaporar da vossa memória então voltarei a vós!”

“Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores.”

“Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre. O laço da tristeza é mais forte que o laço da alegria. E o amor que as lágrimas lavam torna-se eternamente puro e belo.”

“As árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo o nosso vazio.”

“Muitas mulheres ocupam o coração de um homem; poucas chegam a apropriar-se dele.”

“Asas Partidas
O amor é a única flor que desabrocha sem a ajuda das estações.”

“Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar.”

“O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio.”

“A música é a linguagem dos espíritos.”

“Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: Está em nossas lágrimas e no mar.”

“A consciência de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queríamos?”

Teus filhos não são teus filhos
São filhos e filhas da vida, anelando por si própria
Vem através de ti, mas não de ti E embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos,Pois que eles tem seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas Pois que suas almas residem na casa do amanhã, Que não podes visitar se quer em sonhos. Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazei-los semelhante a ti, Pois a vida não recua, não se retarda no ontem.
Tú és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados... Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria.

Quando vosso amigo expressa o pensamento, 
não temais o "não" de vossa própria opinião, 
nem prendais o "sim". 
E quando ele se cala, que vosso coração 
continue a ouvir o coração dele...

...Quando vos separais de vosso amigo, 
não vos aflijais.
Pois o que amais nele 
pode tornar-se mais claro na sua ausência, 
como para o alpinista a montanha 
aparece mais clara, vista da planicie

"Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida. 

Hoje sei que sou eu a esfera, e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim. 

Eles dizem-me no seu despertar: 
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia sobre a margem infinita de um mar infinito." 

E no meu sonho eu respondo-lhes: 

"Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem." 

Só uma vez fiquei mudo. 
Foi quando um homem me perguntou: 
"Quem és tu?" "

“A consciência de uma planta no meio do inverno não está voltada para o verão que passou, mas para a primavera que irá chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a primavera virá, por que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queríamos?”
Vossos filhos não são vossos filhos. 
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. 
Vêm através de vós, mas não de vós. 
E embora vivam convosco, não vos pertencem. 
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, 
Porque eles têm seus próprios pensamentos. 
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; 
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, 
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. 
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, 
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. 
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. 
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força 
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. 
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: 
Pois assim como ele ama a flecha que voa, 
Ama também o arco que permanece estável.

Divina Música! 

Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
e do Amor.
Sonho do coração humano,
fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
e desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
e dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
e a ouvir com os corações.

A Razão e a Paixão

E a sacerdotisa adiantou-se novamente e disse: "Fala-nos da razão e da paixão". E ele respondeu, dizendo: Vossa alma é freqüentemente um campo de batalha onde vossa razão e vosso juízo combatem vossa paixão e vosso apetite. Pudesse eu ser o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia e a rivalidade entre vossos elementos em união e harmonia. Mas como poderei fazê-lo, a menos que vós mesmos sejais também pacificadores, mais ainda, enamorados de todos os vossos elementos?

Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante. Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis derivar ou permanecer imóveis no meio do mar. Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão, deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.

Que vossa alma eleve, portanto, vossa razão à altura de vossa paixão, para que ela possa cantar, E que dirija vossa paixão a par com vossa razão, para que ela possa viver numa ressurreição cotidiana e, como a fênix, renascer das próprias cinzas.

Gostaria que tratásseis vosso juízo e vosso apetite como trataríeis dois hóspedes amados em vossa casa. Certamente não honraríeis um hóspede mais do que o outro; pois quem procura tratar melhor um dos dois, perde o amor e a confiança de ambos.

Entre as colinas, quando vos sentardes à sombra fresca dos álamos brancos, compartilhando a paz e a serenidade dos campos e dos prados distantes, então que vosso coração diga em silêncio: "Deus repousa na razão". E quando bramir a tempestade, e o vento poderoso sacudir a floresta, e o trovão e o relâmpago proclamarem a majestade do céu, então que vosso coração diga com temor e respeito: "Deus age na paixão". E já que sois um sopro na esfera de Deus e uma folha na floresta de Deus, vós também devereis descansar na razão e agir na paixão.

O Amor

ENTÃO Almitra disse:
-Fala-nos do Amor.

Ele levantou a cabeça
e olhou o povo;
um silêncio caiu sobre eles.
E disse com voz forte:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.

E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor vos coroa,
também deve crucificar-vos.
E sendo causa do crescimento,
deve cuidar também da poda.

E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais tenros
que tremem ao sol,
também penetrará ate às raízes
sacudindo o seu apego a terra.

Como braçadas de trigo vos leva.

Malha-vos até ficardes nus.

Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do palhiço.

Mói-vos até à brancura.

Amassa-vos até ficardes maleáveis.
Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer
os segredos do vosso coração,
e por este conhecimento
vos tornardes um bocado
do coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair da eira do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor
basta ao amor.

Quando amardes, não digais:
-Deus está no meu coração,
mas antes:
- Eu estou no coração de Deus.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos julgar dignos,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amardes, e tiverdes desejos,
deverão ser estes:

Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência
do amor, e sangrar
de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com um coração alado
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
com gratidão;
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado
e um canto de louvor na boca.


in "O Profeta"
de Khalil Gibran

A Alma...

... E o Deus dos deuses separou de si mesmo uma alma e a dotou de beleza.
E deu-lhe a suavidade da brisa matinal e o perfume das flores do campo e a doçura do luar.
E entregou-lhe a taça da alegria, dizendo-lhe: "Só poderás beber desta taça se esqueceres o passado e não te preocupares com o futuro." E entregou-lhe a taça da tristeza, dizendo: "Bebe dela, e compreenderás a essência da alegria da vida."
E soprou nela um amor que a abandonaria ao primeiro suspiro de saciedade, e uma meiguice que a abandonaria à primeira manifestação de orgulho.
E fez descer sobre ela, do céu, um instinto que lhe revelaria os caminhos da verdade.
E depositou nas suas profundezas uma visão que vê, o que não se vê.
E criou nela sentimentos que deslizam com as sombras e caminham com os fantasmas.
E vestiu-a de um vestido de paixão que os anjos teceram com as ondulações do arco-íris.
E colocou nela as trevas da dúvida, que são as sombras da luz.
E tomou fogo da forja do ódio, e ventos do deserto da ignorância, e areia do mar do egoísmo, e terra pisada pelos pés dos séculos e amassou todos esses elementos e fez o homem.
E deu-lhe uma força cega que se inflama nas horas de loucura e desvanece diante das tentações.
Depois, depositou nele a vida, que é o reflexo da morte.
E sorriu o Deus dos deuses, e chorou, e sentiu um amor incomensurável e infinito e uniu o homem e a alma.

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Então, Almitra disse: 'Fala-nos do amor'
E ele ergueu a fronte e olhou para multidão, e um silêncio caiu sobre todos, 
e com uma voz forte, disse:

'Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como
o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma que o amor vos coroa, assim
ele vos crucifica. E da mesma forma que contribui para
vosso crescimento, trabalha para vossa poda.
E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia
vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes e as sacode no
seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
no pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós para que
conheçais os segredos de vossos corações e, com esse
conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor, procurardes somente a
paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
e abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações, onde rireis, mas
não todos os vossos risos, e chorareis, mas não todas as
vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe
senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.

Pois o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga: 'Deus está no
meu coração', mas que diga antes: 'Eu estou no coração de Deus.'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor
pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio
o vosso curso.
O amor não tem outro desejo senão o de atingir
a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos, sejam
estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o
êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o
bem-amado, e nos lábios uma canção de bem-aventurança.

...Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.

Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima. O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada. O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existe momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo no ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem. Somos muito mais capazes do que pensamos. Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada. Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está trabalhando e aprendendo. Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpresos conosco mesmos, e nossos pensamentos de inverno se transformam em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas. A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos.
Khalil GibranFonte:https://www.pensador.com/textos_de_gibran_calil_gibran/

Resenha: Jesus, o Filho do Homem (Khalil Gibran, 1928)

Martin Claret (2014), bolso, 165 páginas
"Mas esse homem, Jesus, esse Nazareno, Ele falou de um Deus tão vasto que não se parece com a alma de qualquer homem, sábio demais para punir, amoroso demais para lembrar os pecados de todas as Suas criaturas. E esse Deus do Nazareno irá passar através dos limiares da consciência dos filhos da terra e sentará à lareira deles e será uma bênção no interior de seus muros e uma luz sobre o caminho deles." (Um filósofo persa em Damasco)

O que um muçulmano tem a ver com Jesus? Essa é uma pergunta que encerra duas ignorâncias fundamentais. A primeira, a do desconhecimento de que o Islã vê Jesus (em árabe ʿĪsā) como um mensageiro de Deus de uma maneira especial, talvez até mais que Maomé, uma vez que seu nome aparece mais vezes no Alcorão do que o do Profeta, e atribuem-se a ele qualidades sobre-humanas que Maomé jamais arrogou a si mesmo. A segunda, de que Khalil Gibran (pronuncia-se, aproximadamente, /Jubrã/), embora nascido no Líbano, veio de família cristã maronita, intimamente ligada à Santa Sé da Igreja Católica, religião que desempenha importante papel cultural e político na história de seu país, por exemplo, na chefia do estado (com duas exceções, desde o Pacto Nacional de 1943, todo presidente do Líbano é maronita) e na língua siríaca empregada na liturgia, dialeto originado do idioma que teria sido falado por Jesus, o aramaico. Gibran recebeu também influência do Islã, em especial dos sufis (místicos muçulmanos) e da Fé Bahá'í, tendo, portanto, uma formação religiosa multi-confessional.

É com grande interesse que volvemos a atenção para o que o autor do mundialmente famoso "O profeta" tem a dizer sobre Jesus, nessa obra construída como uma coletânea de 77 depoimentos (fictícios) de testemunhas da época de Cristo, amigos, familiares, opositores, etc., em prosa recendendo a poesia, acrescida do 78°. testemunho, de "um homem do Líbano, dezenove séculos depois" - ele mesmo.


Gibran, amigo Gibran


Khalil Gibran
(1883 - 1931)
Jubrān Khalīl Jubrān nasceu de uma família pobre do que hoje é o Líbano, na época, província do Império Otomano. Devido à pobreza, não recebeu educação formal até que sua mãe, com os filhos, emigrou para os EUA, em 1891, devido à prisão de seu pai sob acusação de desfalque, e as propriedades da família foram confiscadas. Até então, sua educação havia sido provida por sacerdotes, que lhe ensinavam a Bíblia e a língua árabe. Nos EUA, foi matriculado em uma escola para imigrantes, onde aprendeu inglês, e daí, do registro escolar, vem a estranha grafia de seu nome, "Kahlil Gibran". Na nova terra, também passou a estudar artes, dedicando-se ao desenho e à pintura, que exerceu por toda a vida.

Por volta dos 15 anos, voltou ao Líbano, para absorver mais da cultura de sua terra natal. Lá, na escola al-Hikma, estudou as obras de Francis Marrash (1836 - 1873), médico e escritor sírio do movimento an-Nahḍah, a "Renascença árabe". Marrash talvez seja o primeiro escritor cosmopolita árabe, e introdutor do Romantismo francês no mundo árabe. Seus escritos são também considerados os primeiros exemplos de prosa poética, estilo que Gibran cultiva em suas obras. Aliás, o próprio Gibran, embora tenha escrito primariamente em inglês a partir de 1918, o que inclui sua obra-prima "O profeta" (1923), é um expoente do movimento, entre os chamados "poetas do Mahjar" (diáspora árabe), ou "poetas mahjari". Além disso, Marrash causou uma "profunda impressão" sobre Gibran com seu conceito de "amor universal". Parte da significância da obra de Marrash está sobre sua tentativa de "mesclar o pensamento europeu com sua própria leitura da crença cristã no amor universal". A seu respeito, certo escritor libanês disse: "Amor é um dos pilares da Cristandade, e Marrash, como alguns sufis e românticos, considerava-o a base da civilização, deveras, do inteiro universo [...] Como o amor, para Marrash, é a lei geral, e liberdade significa participação nessa lei, segue que liberdade seria inseparável do amor e da religião". Um trecho de seu "Ghabat al-haqq" (Floresta da Verdade, c. 1865) ilustra essa ideia: "É pelo Amor que o mundo inteiro é sustentado. Pelo Amor, cada criatura se perpetua separadamente. E pelo Amor, o todo preserva suas partes. Quem chamar o Amor de 'deusa da sociedade humana' não estará errado, por causa dos estranhos efeitos e milagrosas impressões produzidos por ela entre os homens. Se uma estátua dela devesse ser criada e assentada sobre o altar da mente, deveria tomar a forma de uma mulher, inteiramente justa e sem mácula". De fato, afirma-se que Gibran deve a Marrash "muitas de suas ideias sobre escravidão, educação, liberação feminina, verdade, a bondade natural do ser humano e a moral corrupta da sociedade".

Retrato em papel de 'Abdu'l'Bahá (Gibran, abril de 1912)
(http://bahai-library.com/bushrui_gibran_man_poet)
Embora muitos escritos de Gibran lidem com o Cristianismo, seu misticismo, especialmente em torno do amor espiritual, derivam da convergência de diversas crenças, incluindo o Islã, o Judaísmo, o Sufismo, a Teosofia e, não menos importante, a Fé Bahá'í. Gibran se entusiasmava com os ensinos de "unidade espiritual de toda a humanidade". Gibran: "Tu és meu irmão e eu te amo. Eu te amo quando tu te curvas na tua mesquita, te ajoelhas na tua igreja ou rezas na tua sinagoga. Tu e eu somos filhos de uma só fé: o Espírito". De fato, fundado em meados do séc. XIX por Bahá'u'llah, as três bases da Bahaismo são a unidade de Deus, a unidade das religiões e a unidade da humanidade. Gibran considerava os escritos árabes de Bahá'u'llah a "mais estupenda literatura já escrita". Em 1912, 'Abdu'l'Bahá, filho e sucessor de Bahá'u'lláh, fez sua 2ª. visita ao Ocidente, sendo parte de sua pauta a promoção da paz. Esteve em Nova Iorque onde Gibran o encontrou e fez seu retrato. Embora Bahá'u'lláh estivesse abatido pela notícia da morte de 1513 pessoas no naufrágio do Titanic (14-15/abril), Gibran teria dito: "Pela primeira vez eu vi uma forma nobre o suficiente para ser o receptáculo do Espírito Santo". A pintora bahá'í Juliet Thompson testemunha que Gibran teria dito, tempo depois, que enquanto escrevia "Jesus, o Filho do Homem", pensava em 'Abdu'l'Bahá.

Jesus, o Filho do Homem


Gibran nutriu a ideia de escrever uma imagem de Jesus ao longo de vinte anos, derivado de suas leituras e contemplações, e suas memórias de infância, "quando a linguagem da Bíblia e a eletrizante figura do Nazareno preencheu a consciência do menino maronita da montanha". Para ele, Cristo possuía um "tremendo poder pessoal": "Não era um fraco! Ele era e é forte! Mas as pessoas se recusam a atender ao verdadeiro significado de 'força' [...] Ele viveu como líder [...] Ele morreu com um heroísmo que aterrorizou seus assassinos e torturadores. Ele não era uma ave com asas partidas. Era uma tempestade feroz que quebrou todas as asas tortuosas". Gibran teria dito que estava "enjoado e farto" daqueles que retratam Jesus como "uma delicada dama de barba" e desgastado com os eruditos debatendo acerca de sua historicidade. "Minha arte não pode encontrar melhor repouso que a personalidade de Jesus. Sua vida é símbolo da Humanidade. Ele será sempre a suprema figura de todas as eras. Nele sempre encontramos mistério, paixão, amor, imaginação, tragédia, beleza, romance e verdade". E foi para falar dessa personalidade que Gibran escreveu este livro que, segundo alguns críticos, até excede "O Profeta" em sua "intensidade de inspiração".

O livro se compõe de 78 breves depoimentos. "Suas palavras e seus feitos conforme narrados e registrados por aqueles que o conheceram". Nomes conhecidos e desconhecidos, e anônimos registram suas impressões a respeito de Jesus. Familiares, amigos, seguidores, opositores religiosos, opositores políticos, céticos, pensadores e religiosos pagãos, vizinhos e outros formam um mosaico testemunhal com curiosos enfoques sobre a personalidade e as palavras do "Mestre, Mestre Cantor". Entre tantos, aparecem Maria Madalena, Pedro, João, Tiago (o irmão do Senhor), Rafca (a noiva de Caná), um poeta grego, um filósofo, um advogado em Jerusalém, um astrônomo de Babilônia, Salomé, Pôncio Pilatos, a mãe de Judas Iscariotes, ... e o próprio Gibran.

Esboço de "Jesus, o Filho do Homem"
(desenho de Khalil Gibran).
Para Gibran, "a missão de Jesus jamais consistiu em estabelecer instituições hierárquicas com estruturas e sanções; pelo contrário, consistiu no despertar da humanidade para sua própria potencialidade cósmica". "Sua visão de Cristo, tal como emerge através desses relatos imaginários, é poética e altamente inortodoxa, sem nenhuma pretensão à acurácia histórica." Crente na unidade de toda fé, compartilhando da crença bahá'í nas inúmeras Manifestações de Deus sobre a Terra, na forma de homens que melhor corporificavam os atributos divinos, Gibran "não aceitou o Cristianismo como exclusivo". Como Gandhi, aceitava o Cristo mas não o Cristianismo dogmático.

Algumas breves  passagens darão ao leitor um prova do sabor dessa obra, muito rica em reflexões em torno desse homem que "era o coração do homem".

"Procurai vosso irmão e fazei com ele a paz antes de procurar o templo [...] Pois na alma desses Deus construiu um templo que não será destruído, e no coração deles Ele erigiu um altar que jamais perecerá" (Mateus, relembrando palavras de Jesus no Sermão da Montanha).

"Pois mulheres são fracas e fúteis, e seguem o homem que conforta suas paixões não consumidas, com palavras suaves e macias. Se não fosse por essas mulheres, enfermas e possuídas por Seu espírito malévolo, Seu nome teria sido apagado da memória do homem" (Um sacerdote, para quem Jesus era "um conjurador e um enganador").

"Se soubesse que aquele jovem com um serrote e uma plaina era um profeta, eu teria suplicado a Ele que falasse em vez de trabalhar, e teria pago muito mais pelas palavras" (Um cliente do carpinteiro Jesus).

"Muitas vezes parece que ele foi um sonho sonhado por incontáveis homens e mulheres ao mesmo tempo num sono mais profundo que o sono e numa aurora mais serena que todas as auroras. E parecia que ao relatar esse sonho, de um para outro, começamos a julgar que fosse realidade como se realmente tivesse acontecido; e, ao dar corpo para nossa fantasia e uma voz para nossos desejos, tornamos tudo uma substância feita da nossa substância" (Uma discípula, para quem "Ele mesmo [era] um milagre realizado na Judeia").

"E se uma estação manifestar-se na forma de um homem? Em Jesus os elementos de nossos corpos e nossos sonhos se reúnem, de acordo com a lei. Tudo o que era atemporal antes Dele se torna oportuno Nele" (Um astrônomo da Babilônia).

"Ele era um estranho em nosso meio [...] Não caminhava na estrada de nosso Deus, mas seguia o curso dos loucos e dos infames [...] Quando Ele abandonou seu povo e se tornou um vagabundo, transformou-se em nada mais que um tagarela" (Um ancião de Nazaré).

"E Jesus, esse homem que revelou Deus como uma fonte de alegria, eles O torturaram, depois O mataram. As pessoas não ficam felizes com um deus feliz. Conhecem apenas os deuses de suas dores. Mesmo os amigos e discípulos de Jesus, que conheciam sua jovialidade e ouviam seu riso, fazem uma imagem de seu sofrimento e adoram essa imagem. E em tal adoração, eles não se elevam à sua divindade, mas a trazem para baixo e para eles [...] É estranho que a dor do homem seja transformada num rito" (De um romano para um grego).

"Eu O ouvi dizer: 'Lembrai-vos disto: um ladrão é um homem em necessidade, um mentiroso é um homem com medo [...]' Desde então ponderei longamente, e sei agora que apenas os puros de coração perdoam a sede que leva às águas mortas. E apenas a certeza do passo pode estender a mão àquele que tropeça" (André, sobre as prostitutas).

"Vosso próximo é vosso outro eu caminhando atrás de um muro [...] é um espelho onde ireis contemplar vossas feições embelezadas por uma alegria que vós mesmos não conheceis e por uma tristeza que vós mesmos não compartilhais. Eu gostaria que amásseis vosso próximo como amei a vós" (Pedro, sobre o próximo).

"Eu O ouvi dizer: 'Pai, perdoai-os, pois não sabem o que fazem' [...] Sempre esteve no coração do homem, quando o coração se despedaça, dizer tais palavras?" (Filipe, lembrando a crucificação).

Fonte:
http://projetolereviver.blogspot.com.br/2014/12/resenha-jesus-o-filho-do-homem-khalil.html



PROFETA - O JARDIM DO PROFETA, O - KHALIL GIBRAN

Profeta - O Jardim do Profeta, O - Khalil Gibran

DESCRIÇÃO

O Profeta, obra máxima de Gibran Khalil, vem alcançando sucesso permanente como poucos outros livros, desde seu lançamento em 1923. É um livro que atrai não só pelo pensamento e pelo estilo, mas também pela filosofia da vida nele contida.

Khalil prega a ternura evangélica em meio ao progresso massacrante e à impiedosa competitividade dos tempos modernos. Sem impor ideologias, tenta despertar a bondade e a beleza escondidas sob a angústia e o desespero que perpassam nossa existência. Em suma, nos convida a vivermos as boas coisas da vida, a sermos dignos delas e a aproveitarmos o que há de mais elevado em cada um de nós.


O autor: nascido em 1883, na cidade de Bsharre, situada nas montanhas do Líbano, numa época em que seu país bem como outros da região, era dominado pelo Império Otomano, Khalil Gibran migra com a família para os Estados Unidos em 1894, fugindo da opressão e da miséria.

Fixando residência em Boston, retorna ao Líbano na adolescência, mas volta àquela cidade americana após completar seus estudos árabes, e, ali, começa a escrever para publicações dirigidas à comunidade de imigrantes, além de dedicar-se às artes plásticas.

Logo sua obra começa a ser reconhecida (primeiramente, como pintor e, em seguida, como escritor) pelo público norte-americano e, em 1910, muda-se para Nova York. Continua a pintar e a publicar obras de grande alcance e popularidade até sua morte prematura em 1931, aos 48 anos de idade.

Autor: Gibran Khalil Gibran
112 págs.
14 x 21 cm
ISBN: 9788588386259
Fonte:
http://www.esotera.com.br/loja/o-profeta-e-o-jardim-do-profeta-khalil-gibran
Sumário - Kahlil Gibran - O Profeta - 1923 
One World Publications, Kahlil 
Gibran foi um poeta e proseador libanês que possuia a habilidade de escrever com inacreditável profundidade e simplicidade impressonantes. O Profeta, que é de longe o seu livro mais famoso, possui uma premissa muito simples e, ainda assim, de uma profundidade encantadora. Um lider espiritual muito amado e respeitado de uma comunidade religiosa, não especificada, ( Kahlil Gibran foi influenciado pelos ensinamentos do Sufismo ) acha que é preciso deixar seus seguidores e partir em uma longa jornada da qual ele jamais retornaria ( esta pode ter sido uma maneira de dizer que ele iria morrer logo ). Seus adorados, mas superdependentes, seguidores ficam apavorados com a possibilidade, e tentam convencê-lo a não partir. Eles começam rapidamente a questionar como poderiam viver sem seu conforto familiar e bem vindo, uma vez que tenha partido. Eles sentem-se incapazes de viver suas vidas sem ele. O livro, a partir de então, torna-se uma série de questionamentos e respostas conforme as pessoas questionam seu profeta, chamado simplesmente de Mestre, sobre o que devem fazer. Cada capítulo do livro a partir deste ponto é a resposta para uma pergunta nova. O profeta, pacientemente, oferece amavelmente respostas polidas e novas para mostrar aos seus seguidores que eles podem achar as respostas que procuram dentro de seus próprios corações e mentes. Com as questões respondidas, ele finalmente parte para a sua jornada. O livro ressoa com desejo e beleza, e, sem dúvidas, tornou-se um dos mais conceituados trabalhos sobre misticismo já lançados. É adorado particularmente por pessoas mais jovens que tristemente perderam seu objetivo e ainda buscam seu conhecimento interior através de outros gurus e líderes, enquanto carregam o confortante O Profeta em suas bolsas, compreendendo finalmente que elas possuem as respostas à sua inteira disposição.O Profeta - Khalil Gibran Paranhos - imagem 2Iniciado pelo autor aos 15 anos, escrito e destruído três vezes em árabe, transformado através de cinco versões inglesas antes de surgir na sua forma definitiva em 1923, O Profeta alcançou um sucesso instantâneo e foi traduzido em dezenas de línguas.
Imitando a simplicidade do versículo bíblico, Gibran populariza um sincretismo alimentado do cristianismo, sufismo e budismo. Inspirando-se no Zaratustra de Niestzche, a sua personagem, Al Mustafá, dirige-se à multidão com imagens fugazes, retiradas da natureza. Não procurando convencer, alcança a universalidade propondo a meditação filosófica.
Solitário e taciturno, O Profeta exalta o conhecimento do eu, que incessantemente procura a dissolução no grande todo universal.
Um profeta, de nome Al-Mustafa retorna à ilha onde nasceu. Chegando lá, seus amigos e moradores da ilha lhe fazem perguntas sobre a vida, a morte, o casamento, a felicidade.
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas do anelo da Vida por si mesma. 
Eles vêm através de vós, e não de vós.
E embora estejam juntos de vós, não vos pertencem.” (p. 43)
Al-Mustafa responde a todas as perguntas com extrema sabedoria e poesia.
“Todavia, aquilo em vós que é sem tempo sabe da eternidade da vida.
E sabe que o ontem é apenas a memória do hoje, e o amanhã é o sonho do hoje.” (p. 87)
Khalil Gibran é nascido no Líbano em 6 de janeiro de 1883. Foi ensaísta, poeta, conferencista e pintor. Sua obra é influenciada pela Bíblia, por Nietzsche e William Blake. O profeta é sua obra mais famosa.
Um livro para ser lido com calma. São várias passagens que refletem nossa vida. O autor também tem um livro chamado Asas Partidas, que é a mais bela declaração de amor que já li.
Livro: O profeta
Autor: Khalil Gibran
Editora: Martin Claret
Páginas: 128
Fonte:https://bibliotecarialeitora.wordpress.com/2013/12/28/resenha-o-profeta-khalil-gibran/

Resenha: O Profeta – Khalil Gibran


/Editora Martin & Claret/Resenhas/
Editora: Martin Claret
Autor: Khalil Gibran
ISBN: 9788572329897
Edição: 1
Número de páginas: 140
Acabamento: Brochura
Classificação EDS: 100 de 100 pontos
Compre: Amazon
O profeta, obra-prima de Khalil Gibran, lançado em 1923, é um livro que inspira por meio de uma filosofia simples: viver bem com os nossos pensamentos, comportamentos e escolhas. Com sábias palavras, o autor propõe uma reflexão sobre a bondade e a beleza da vida. O profeta é uma obra acessível, para ler em todas as fases da vida, pois nos ensina sobre o amor, o trabalho, a alegria, a morte entre outros temas universais, por isso é um livro tão aclamado, com muitas edições e um grande número de leitores.

Minhas impressões

A primeira vez que ouvi falar de Khalil Gibran foi em uma aula da graduação, imersa na beleza singular do sugestivo nome de “as montanhas do Líbano” e seu cenário de neve e as cores das flores num lugar de cultura tão diferente da nossa.
O professor falou poeticamente da biografia de um cara muito à frente de seu tempo e de uma sensibilidade aguda e acima dos meros mortais que, como nós, ali estavam conhecendo sua vida e obra.
Desde então, sempre que posso ou “o livro me chama”, faço a leitura de “O Profeta”. Publicado em 1923 é daqueles em que podemos desfrutar inteiramente apenas em uma tarde preguiçosa, mas as reflexões provocadas nas poucas páginas nos acompanham por semanas a fio.
Trabalho – “Disseram-vos também que a vida são trevas; e em vossa fadiga repetis o que disseram os fatigados. Eu vos digo: a vida são mesmo trevas, salvo quando há ímpeto. E todo ímpeto é cego, salvo quando há conhecimento, e todo conhecimento é vão, salvo quando há trabalho. E todo trabalho é vazio, salvo quando há amor; ”
Al-Mustava é um profeta que viveu recluso por 12 anos no espaço privilegiado da cidade de Orphalese em que pode observar a vida e os costumes da população local. O sentimento para deixar a cidade é dúbio, as pessoas pedem para que permaneça, mas diante da apresentação da necessidade da partida, acaba fazendo um discurso em que vão sendo desveladas em tom de parábola várias observações sobre temas humanos, demasiado humanos.
Amor – “Quando o amo vos acenar, segui-o. Embora seus caminhos sejam árduos e íngremes. E quando suas asas vos envolverem, entregai-vos, embora a espada oculta em sua plumagem possa ferir-vos. E quando ele vos falar, acreditai nele. Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento do Norte devasta o jardim. ”
É uma história daquelas que nos acompanham ao longo da vida e das nossas diversas metamorfoses, pois aborda questões profundas e que aparecem em maior ou menor grau ao longo de nossa juventude e maturidade. Lemos sobre o amor, amizade, relacionamento e trabalho numa reflexão com doses socráticas.
Sou apenas um ser em busca dos silêncios, e que tesouro haverei encontrado em meus silêncios que seja digno de compartilhar?
Estamos tão imersos em nossas vidas, trabalhos, relacionamentos que perdemos o olhar distanciado da situação, do problema e é isso que Gibran faz emergir. Al-Mustafa tinha a observação do estrangeiro e com o tempo foi problematizando como a experiência da proximidade afasta a estranheza e aumenta a possibilidade da leitura através da via do afeto. A partida é um momento doloroso, mas colocada da forma que foi no livro aflora um desejo de maior entendimento e mudança.
Aquilo que parece mais frágil e confuso em vós é o mais forte e determinado.
Para cada releitura, conforme o momento da vida em que estamos, um ponto nos salta aos olhos. Trata-se daquelas obras que mudam a cada leitura, como cada um de nós. Recentemente a história ganhou uma versão animada para o cinema e é simplesmente linda tamanha a essência ali colocada. Se tiver oportunidade, permita-se.
Fonte:http://www.estantedossonhos.com.br/2017/06/22/2010/
Saiba mais sobre o livro<br>O PROFETA

O PROFETA

Khalil Gibran
Tradução de Bettina Gertrum Becker
Coleção L&PM Pocket
Ref. 222
128 páginas
ISBN 978.85.254.1089-4
O profeta é uma maravilhosa viagem espiritual através de um dos grandes clássicos do século XX. Foi escrito em inglês e traduzido em 40 idiomas. É um conjunto de meditações sobre temas universais como o amor, a morte, a família e a esperança. Gibran Khalil Gibran nasceu em 6 de dezembro de 1883, no Líbano. Aos onze anos emigrou para a América com a família. Por muitos anos ganhou a vida como pintor. Em 1923, foi publicada sua obra-prima, O profeta. Foi um sucesso imediato, e as vendas nunca caíram. Khalil morreu em 1931 de insuficiência hepática e tuberculosa incipiente, mas o autor nunca perdeu a paixão pelo Líbano, onde foi enterrado e onde é considerado uma lenda.

O profeta é uma maravilhosa viagem espiritual através de um dos grandes clássicos do século XX. Foi escrito em inglês e traduzido em 40 idiomas. É um conjunto de meditações sobre temas universais como o amor, a morte, a família e a esperança. Gibran Khalil Gibran nasceu em 6 de dezembro de 1883, no Líbano. Aos onze anos emigrou para a América com a família. Por muitos anos ganhou a vida como pintor. Em 1923, foi publicada sua obra-prima, O profeta. Foi um sucesso imediato, e as vendas nunca caíram. Khalil morreu em 1931 de insuficiência hepática e tuberculosa incipiente, mas o autor nunca perdeu a paixão pelo Líbano, onde foi enterrado e onde é considerado uma lenda.

Khalil Gibran (1883-1931) foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa. Nasceu na cidade de Bsharri, no norte do Líbano, mas emigrou para Boston, nos Estados Unidos, com a mãe e os irmãos durante a infância. Foi nos Estados Unidos que começou a se interessar por arte, porém sua mãe e seu irmão incentivaram-no a retornar à sua terra natal aos quinze anos para que conhecesse melhor sua herança cultural. Em 1902, ao voltar aos Estados Unidos, Gibran começou a publicar textos em árabe, que chamaram a atenção da comunidade local, e a expor seus quadros, o que lhe deu a oportunidade de estudar em Paris. Seus primeiros livros foram escritos em árabe. Fazem parte dessa produção inicial obras como A música (1905), As ninfas do vale (1906), Asas partidas (1912),Uma lágrima e um sorriso (1914), A procissão (1919) e Temporais (1920). A partir de 1918, Gibran começou a escrever livros em inglês, atingindo grande sucesso com obras como O precursor (1920), O profeta (1923), Areia e espuma (1926). Gibran morreu em 1931, aos 48 anos, em Nova York, vítima de cirrose e tuberculose.

10 LIVROS DE KHALIL GIBRAN PARA TER NA ESTANTE


Khalil Gibran nasceu com o dom para as artes, grande ensaísta, filósofo, poeta, escritor, pintor, dono de uma escrita primando pela profundidade e espiritualidade é certamente um dos nomes obrigatórios em uma biblioteca. Nesta lista uma seleção com 10 livros do autor para sua estante:

1 - O Profeta: Essa prosa poética trata de temas ligados ao misticismo. Um profeta despede-se do povo de Orphalese após doze anos de convivência e, antes da partida, compartilha sua sabedoria, tratando de temas como o amor, a liberdade e a morte... 

2 - Jesus - O Filho do Homem: É uma de suas obras mais lidas e amadas. Partindo de documentações e relatos bíblicos, Gibran vai-nos fornecendo vários retratos de Jesus. Jesus: O Filho do Homem é um livro mensagem inesquecível... 

3 - Almas Rebeldes: Nos contos desde livro de sua primeira fase literária, o autor ergue sua voz de artista contra a opressão em que vivia o povo libanês, submetido simultaneamente ao império turco-otomano e ao poder retrógrado e absoluto dos padres da igreja maronita... 

4 - Asas Partidas: De evidente caráter autobiográfico, nele o protagonista Gibran tem o seu jovem espírito despertado pela primeira vez pela ternura e o afeto, em conflito com a duvida e o sofrimento da perda... 

5 - As Ninfas do Vale: Reúne três contos com profundas lições de solidariedade, amor e compreensão pelas fraquezas humanas e as grandes possibilidades de redenção e crescimento que se nos oferecem a todo momento...

6 - Curiosidades e Belezas: O livro é a manifestação dos sonhos... 

7 - Segredos do Coração: Empreende aqui uma busca da verdade na qual as questões da alma e a afirmação dos valores morais não estão deparadas do questionamento do poder que dominava seu país, então subjugado pelo império turco- otomano... 

8 - Uma Antologia Ilustrada: Um antologia em espanhol com a obra de Gibran... 

9 - O Errante: Publicada postumamente, traz os seguintes temas: a inveja, o ciúme, o mal-entendido, as desilusões amorosas, o desencontro de opiniões - além de grandes indagações sobre os mistérios da nossa existência e espiritualidade... 

10 - O Louco: Este texto soa como uma meditação: sua devoção ao espírito, pautada pelo respeito à ética, em nenhum momento o abandona. Mesmo ao falar das mazelas da humanidade, Gibran não perde de vista a realidade espiritual em que ele vive... 

Fonte:


http://www.listasliterarias.com/2013/05/10-livros-de-khalil-gibran-para-ter-na.html