EXERCÍCIOS PARA TURBINAR O CÉREBRO,E A SÍNDROME DO DÉFICIT DE ATENÇÃO E CONCENTRAÇÃO DO SÉCULO 21

  • Em um minuto estamos concentrados, no seguinte já estamos com a mente em outro lugar
    Em um minuto estamos concentrados, no seguinte já estamos com a mente em outro lugar

Por que é tão difícil se concentrar?

Muitos já passaram por esta situação: em alguns dias você simplesmente não consegue se concentrar. Em um minuto, você está totalmente envolvido em uma atividade em seu trabalho, no momento seguinte, está conversando com os amigos no WhatsApp, vendo as últimas piadas on-line ou até os últimos vídeos virais de bichinhos.
Muitos não conseguem terminar o que começam e acabam frustrados. No entanto, a culpa pode não ser totalmente do distraído.
Especialistas sugerem que nosso cérebro não está preparado para o bombardeio rápido e cada vez maior de distrações digitais, o que nos deixa com uma sensação de lentidão e, no final, menos produtivos.

"Doença" do século 21

Este é um problema típico do século 21. A tecnologia domina praticamente todos os aspectos da vida durante o tempo em que estamos acordados, e isso tem um custo cognitivo.

Um estudo realizado pela Microsoft, no Canadá, em 2015, revelou que, em média, o intervalo médio de atenção dos humanos caiu de 12 segundos no final do século passado para oito segundos no novo milênio.
Segundo os especialistas, isso não significa que estamos ficando menos inteligentes, mas que agora desempenhamos várias tarefas ao mesmo tempo.

Multifuncionalidade

Há quem argumente que a multifuncionalidade não existe. Simplesmente mudamos nossa atenção de uma tarefa para outra muito rapidamente, o que poderia ter consequências no funcionamento de nosso cérebro.
Quando mudamos de uma atividade para outra, o cérebro usa glicose e oxigênio e, à medida que estes se esgotam, a pessoa fica com uma sensação de sonolência e desorientação. O resultado é a liberação do hormônio cortisol, um dos hormônios do estresse.
"Esta não é a melhor condição para uma pessoa no momento de tomar decisões", afirmou Greg Foot, apresentador de um programa de ciência da BBC. "Com certeza o conselho seria menos multifuncionalidade, certo? O problema é que já estamos viciados."
Segundo Foot o nosso córtex pré-frontal gosta de novidades e nosso cérebro sempre está à procura "do novo". "Isto significa que nossa atenção sempre é sequestrada por algo mais; você simplesmente não pode resistir a esta vibração que indica que chegou uma nova mensagem de texto ou o sinal de que tem uma nova atualização no Facebook."
E essa busca constante pelo novo ativa nosso sistema de dopamina, que envia mensagens - frequentemente conhecidas como "substâncias químicas de recompensa" - a várias partes do cérebro.
Em suma: nosso cérebro recebe uma recompensa cada vez que perdemos a concentração. "Está na hora de admitir que estamos ficando viciados em nossa tecnologia", disse Foot.
O neurocientista e psicólogo cognitivo Daniel J. Levitin afirma que, em média, estamos consumindo por dia uma quantidade informação equivalente a 175 jornais.
Isso é 30 vezes o conteúdo que consumíamos há 30 anos. Nosso cérebro busca novidades e, com o grande número de dispositivos à nossa disposição, a tentação de ser uma pessoa "multifuncional" é enorme.

Sugestões

Existem algumas recomendações para os que estão com grande dificuldade para se concentrar em suas tarefas. A primeira é simples: desligue os dispositivos de que você não esteja precisando.
Um estudo feito pela Microsoft demonstrou que, quando os trabalhadores eram interrompidos por dispositivos eletrônicos, precisavam de cerca de 15 minutos para voltar a se concentrar em uma tarefa complicada.
Coloque combustível em seu cérebro. Pular o café-da-manhã significa que você vai funcionar graças à adrenalina, o que dificulta a concentração. As proteínas e carboidratos estabilizam o açúcar no sangue. E, claro, tomar água também ajuda pois evita a desidratação.
Pratique atividades físicas. Um estudo na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, sugere que o exercício aeróbico melhora as regiões do cérebro relacionadas à atenção no curto e longo prazo.
Tenha uma boa noite de sono. É durante o sono que o corpo se repara e se restaura. Com menos de sete horas de sono por noite o cérebro não recebe o que precisa para funcionar.


Como a ciência tenta explicar --sem acordo-- a consciência humana

George Johnson

Um artigo no The British Medical Journal em dezembro relatou que a terapia cognitivo-comportamental –um meio de persuadir as pessoas a mudar a maneira de pensar– é tão eficaz quanto remédios como o Prozac ou o Zoloft no tratamento da depressão severa.
De uma maneira que ainda não foi bem explicada, a terapia atinge condutores biológicos e afeta o fluxo de neurotransmissores no cérebro. Outros estudos encontraram resultados semelhantes na "mindfulness" ("atenção plena"), meditação de inspiração budista na qual os pensamentos podem passar suavemente pela mente.
Descobertas como essas se tornaram tão comuns que é fácil se esquecer de suas estranhas implicações.
A depressão pode ser tratada de duas maneiras radicalmente diferentes: alterando o cérebro com produtos químicos ou a mente em sessões de terapia, mas ainda não conseguimos explicar como a consciência surge da matéria ou como, por sua vez, ela age no cérebro.
Esse antigo dilema – o problema mente-corpo – foi sucintamente descrito pelo filósofo David Chalmers em um simpósio recente na Academia de Ciências de Nova York. "O consenso científico e filosófico é de que não há alma ou ego não físico, ou pelo menos não há evidência disso", disse ele.

Mente e corpo

A noção de dualismo de Descartes – mente e corpo como coisas separadas – há muito tempo se afastou da ciência. O desafio agora é explicar como o mundo interior da consciência surge a partir da matéria do cérebro.
Michael Graziano, neurocientista da Universidade de Princeton, sugeriu que a consciência é uma espécie de trapaça que o cérebro faz com ele próprio. O órgão é um computador que evoluiu para simular o mundo exterior – e, entre seus modelos internos, há uma simulação de si mesmo, uma aproximação bruta de seus próprios processos neurológicos.
O resultado é uma ilusão. Em vez de neurônios e sinapses, sentimos uma presença fantasmagórica, um "eu" dentro da cabeça, mas tudo não passa de processamento de dados.
"A máquina erroneamente pensa que tem magia em seu interior", disse Graziano. E ela chama a magia de consciência.
Não é a existência dessa voz interior que ele acha misteriosa. "O fenômeno a ser explicado, é por que o cérebro, como uma máquina, insiste que tem esta propriedade não física."
O debate, transmitido online, me lembrou da mais nova peça de Tom Stoppard, "The Hard Problem" (O problema difícil), em que Hilary, uma pesquisadora de psicologia jovem e problemática, vive a mesma aflição descrita por Graziano. Certamente há mais coisas no cérebro do que biologia, insiste ela para o namorado, um materialista extremo chamado Spike. Deve haver "coisas da mente que não aparecem em um exame".

Por que existe algo como um 'eu' interior?

Stoppard tirou o título da peça de um livro de Chalmers. O "problema fácil" é explicar, pelo menos em princípio, como o pensamento, a memória, a atenção e assim por diante são apenas computação neurológica. Já para o problema difícil – por que todos esses processos se parecem com uma coisa – "não há uma teoria de consenso e nem mesmo uma suposição que chegue perto disso", disse Chalmers no simpósio.
Ou, como Hilary diz na peça, "toda a teoria proposta para o problema da consciência tem o mesmo grau de demonstrabilidade que a intervenção divina". Existe uma lacuna na explicação onde de repente um milagre parece ocorrer.
Ela rejeita a ideia de ocorrência inesperada, a que diz que se você unir componentes (neurônios, chips) em número suficiente, a consciência aparecerá. "No fim, o corpo é feito de coisas, e coisas não têm pensamentos", diz ela.
Os defensores da ocorrência inesperada, que se tornaram predominantes entre os cientistas que estudam a mente, tentam defender suas ideias com metáforas.
As qualidades da água –umidade, transparência, reflexão– emergem da interação dos átomos de hidrogênio e oxigênio. A vida, da mesma forma, surge a partir de moléculas.
Já não acreditamos em uma força vital supernatural, um elã vital, então, o que dizer da consciência?
Por falta de um mecanismo preciso que descreva como a mente é gerada pelo cérebro, alguns filósofos e cientistas voltaram à antiga doutrina do pan-psiquismo, a ideia de que a consciência é universal, que existe como uma espécie de coisa da mente dentro de moléculas e átomos.
A consciência não precisa surgir. Ela é construída na matéria, talvez como algum tipo de efeito da mecânica quântica. Uma das evoluções surpreendentes na última década é como essa ideia se expandiu. Houve três sessões no pan-psiquismo na conferência de Ciência da Consciência no início deste ano em Tucson, no Arizona.
Getty Images/Thinkstock

Um novo estado da matéria

Essa não foi a primeira vez que a ciência se viu em um beco sem saída, onde a única opção foi propor um novo ingrediente fundamental. A matéria escura, a energia escura: ambos foram usados para resolver o que pareciam ser problemas irremediáveis.
Max Tegmark, físico do Instituto de Física de Massachusetts (ele também falou no evento de Nova York), propôs que há um estado da matéria – como sólido, líquido e gasoso – que ele chama de perceptronium: átomos arranjados para que possam processar informações e dar origem à subjetividade.
O perceptronium não precisa ser biológico. A hipótese de Tegmark foi em parte inspirada no neurocientista Giulio Tononi, cuja teoria integrada da informação se tornou uma grande força na ciência da consciência.
Ela prediz, com denso suporte matemático, que dispositivos tão simples quanto um termostato ou um diodo fotoelétrico podem ter vislumbres de consciência, um "eu" subjetivo.
Nessa visão, nem tudo é consciente, só coisas como o perceptronium que podem processar informações de maneiras complexas. Tononi inventou até uma unidade, chamada phi, que supostamente mede a consciência de uma entidade.
A teoria tem seus críticos. Usando o critério de phi, Scott Aaronson, cientista da computação conhecido por seu agudo ceticismo, calculou que um circuito relativamente simples de portas eletrônicas lógicas – algo como os circuitos de correção de erros em um reprodutor de DVD – pode ser muitas vezes mais consciente do que um cérebro humano.
Tononi não descarta essa possibilidade. Como seria a sensação de ser esse dispositivo? Não sabemos. A compreensão da consciência pode exigir uma revolução no modo em que a ciência expressa a realidade.
Ou talvez não. Conforme os computadores vão se tornando cada vez mais complexos, um deles pode nos surpreender um dia com uma conversa inteligente e espontânea, como a rede neural artificial no romance de Richard Powers, "Galatea 2.2".
Podemos não entender como tudo acontece, do mesmo jeito que não entendemos nossa voz interior; os filósofos vão discutir se o computador é realmente consciente ou se apenas simula a consciência – e se existe alguma diferença entre esses dois.
Se o computador ficar deprimido, qual seria o equivalente computacional do Prozac? Ou como uma terapeuta, humano ou artificial, iniciaria um tratamento?
Talvez a máquina pudesse compilar as orientações do conselheiro na forma de instruções para se reprogramar ou para recrutar pequenos robôs que consertariam seus circuitos eletrônicos.
Talvez ele se deparasse com seu próprio problema mente-corpo – e nesse caso, nós, seres humanos, não seríamos de grande ajuda.

Exercícios online ajudam a "turbinar" o cérebro e evitar doenças; conheça

  • Arquivo Pessoal/UOL
    Rita Vasques faz exercícios para a memória na internet
    Rita Vasques faz exercícios para a memória na internet
Aos 57 anos, a ex-bancária Rita Vasques começou a sentir dificuldades para se lembrar das coisas. Os lapsos de memória fizeram com que ela até perdesse compromissos importantes. "Eu anotava na agenda meus compromissos, mas esquecia de consultá-la. Até que eu fiquei preocupada, achando que havia algo errado e fui orientada por uma amiga a procurar um especialista", contou.
No consultório, Rita descobriu que, na verdade, o que estava faltando era estimular o cérebro para tirá-lo da zona de conforto, em que entrara desde que ela saíra do banco. "Da mesma forma que o corpo necessita de exercícios físicos para se manter saudável, o cérebro também precisa de exercícios mentais para se manter ativo", explicou a neuropsicóloga Débora Moss.
Antes de procurar uma academia, saiba que esses exercícios podem ser encontrados nas velhas revistas Coquetel e também na internet. E não são indicados só para idosos e aposentados, todos precisam estimular o cérebro para desenvolver áreas como memória, linguagem, atenção, raciocínio e percepção. "Todos precisam estimular o cérebro, seja para mantê-lo saudável ou para potencializá-lo. Mesmo depois de adulto, o cérebro ainda consegue desenvolver novas habilidades", diz Moss.
Um dos sites que trazem esses jogos é o projeto Mente Turbinada, do médico Paulo Camiz, clínico geral e geriatra da USP e Hospital das Clínicas de São Paulo, que traz exercícios lúdicos que auxiliam na prevenção e reabilitação de doenças neurológicas, e serve para todas as pessoas.
"Quanto mais a pessoa exercita o cérebro, mais ele se desenvolve. Existem vários estudos que correlacionam a aposentadoria precoce com a doença de Alzheimer, o que mostra que manter o cérebro sempre em atividade é muito importante", comentou Camiz. Quando  a pessoa para de trabalhar é comum deixar o cérebro em uma zona de conforto, com menos desafios. 
A aposentada Sandra Di Ricco Panzoldo, de 64 anos, procurou um especialista ao perceber que estava com o cérebro "preguiçoso". "Eu estava com dificuldades até para desenvolver as atividades simples do dia a dia. Andava distraída e com o raciocínio bem lento. Até que decidiu ir ao médico e fui orientada a fazer os exercícios para estimular minha mente", contou.
Os exercícios podem parecer bobos, mas exercitam diversas partes do cérebro. Por exemplo, ao contar as abelhas que entram e saem da colmeia, o usuário está passando por um treino que exige atenção, habilidade de cálculo, de memória e percepção.
"Por isso, se ao final, a pessoa sai com uma leve dor de cabeça, é um bom sinal. Novas conexões cerebrais estão se formando e a pessoa está se desenvolvendo", disse o médico.
Em um outro exercício, o usuário ajuda o coelho a percorrer caminhos desconhecidos. "A pessoa trabalha a capacidade de adaptação a novos cenários. Sua habilidade de percepção espacial melhora bastante. Com o avançar das fases, inclusive a memória é trabalhada. Uma forma de o usuário driblar as mudanças constantes de cenário será a de memorizar os trajetos a serem percorridos pelo coelho e se antecipar a eles", explicou. Com o passar do tempo, o jogo evolui de acordo com o usuário.
"Os exercícios lúdicos ajudam a potencializar a capacidade do cérebro, principalmente porque lhe impõe desafios e estimulam várias funções cognitivas ao mesmo tempo. O cérebro precisa de desafios. Sem eles, ficaríamos mais primitivos, ou seja, comeríamos e dormiríamos apenas, sem precisar raciocinar muito", explica Moss, que não participa do projeto.
Rita já começou a sentir a diferença com um mês de uso. "Eu dedico uma hora por dia aos jogos. Faz pouco tempo que estou fazendo os exercícios, mas já percebi melhora na memória e estou com o raciocínio mais rápido. Pra mim, está sendo muito bom", comemorou.

Exercitar o cérebro é tão importante quanto praticar atividade física

Estimular o cérebro com frequência é um ótimo hábito para desenvolver suas habilidades. Segundo neurologistas, o órgão melhora com a prática e exercitá-lo nos torna mais inteligentes.
"Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. As que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente", explica a neurocientista Alessandra Gorgulho.
Assim como é preciso praticar atividades físicas para manter a saúde, é necessário exercitar o cérebro para manter a saúde mental, defendem alguns especialistas. "Podemos entender que uma pessoa que tem saúde alimenta bem o corpo e o cérebro da mesma forma. [Entendemos] Que é importante praticar exercícios físicos e é importante manter o cérebro ativo até o final do nossa vida", explica Leo Fraiman, psicoterapeuta e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano.
"Quando você desenvolve o raciocínio, existe uma série de áreas do cérebro que são ativadas [como memória, estruturação lógica, operações mentais]. Uma vez que você desenvolve essas regiões do cérebro ligadas às essas atividades, você precisa praticar senão fica enferrujado", acrescenta Claudio Franco, engenheiro e diretor de inovações da Mind lab, empresa focada em tecnologias educacionais.
Franco lembra que por muitos anos acreditou-se que as conexões cerebrais não podiam ser ampliadas depois da vida adulta. Porém, neurocientistas foram desconstruindo essa afirmação com o passar do tempo. "Mais importante do que a prática [de exercícios que mantenham o cérebro ativo], é fundamental explorar a capacidade de ampliar as conexões cerebrais."
Para isso, os entrevistados acreditam que o uso de recursos digitais podem ser benéficos dentro do processo. "Sem dúvida as tecnologias e aplicativos que hoje existem podem ajudar", diz Fraiman. "Tem alguns tipos de jogos [digitais] e atividades eletrônicas que promovem reflexão, estimulam a tomada de decisão e permitem desenvolver habilidades diversas. Por isso são importantes", acrescenta Franco.  
Apesar das vantagens, o psicoterapeuta faz um alerta: "A tecnologia deve ser usada com parcimônia. O uso exacerbado pode justamente impedir o ser humano de desenvolver outras habilidades, como o carisma, entusiasmo." 

Inteligências múltiplas

Fraiman reforça que não há neurologicamente uma área do cérebro mais importante. Todas têm o seu devido valor. "É importante desenvolver o cérebro como um todo. O mais importante é deixar claro que não há uma fórmula, uma receita, um único modo para estimular o cérebro. Cada um tem que achar o quanto de exercício, alimentação, estímulos são necessários para si", afirma o especialista.
Franco destaca ainda que estimular o cérebro não é apenas treiná-lo em operações quantitativas, como ficar exercitando cálculos de matemática ou a memória.  Aprender novas línguas, conhecer outras culturas, estudar história, por exemplo, também são boas práticas para mantê-lo bem estimulado.
"Debater, discutir pontos de vistas e defender argumentos também são boas maneiras para exercitar o cérebro, pois você avalia o cenário, as consequências e toma uma decisão. É bem parecido com os jogos de estratégia", conclui.

Estimular o cérebro com frequência é um ótimo hábito para desenvolver suas habilidades. Segundo neurologistas, o órgão melhora com a prática e exercitá-lo nos torna mais inteligentes.
"Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. As que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente", explica a neurocientista Alessandra Gorgulho.
Assim como é preciso praticar atividades físicas para manter a saúde, é necessário exercitar o cérebro para manter a saúde mental, defendem alguns especialistas. "Podemos entender que uma pessoa que tem saúde alimenta bem o corpo e o cérebro da mesma forma. [Entendemos] Que é importante praticar exercícios físicos e é importante manter o cérebro ativo até o final do nossa vida", explica Leo Fraiman, psicoterapeuta e mestre em psicologia educacional e do desenvolvimento humano.
"Quando você desenvolve o raciocínio, existe uma série de áreas do cérebro que são ativadas [como memória, estruturação lógica, operações mentais]. Uma vez que você desenvolve essas regiões do cérebro ligadas às essas atividades, você precisa praticar senão fica enferrujado", acrescenta Claudio Franco, engenheiro e diretor de inovações da Mind lab, empresa focada em tecnologias educacionais.
Franco lembra que por muitos anos acreditou-se que as conexões cerebrais não podiam ser ampliadas depois da vida adulta. Porém, neurocientistas foram desconstruindo essa afirmação com o passar do tempo. "Mais importante do que a prática [de exercícios que mantenham o cérebro ativo], é fundamental explorar a capacidade de ampliar as conexões cerebrais."
Para isso, os entrevistados acreditam que o uso de recursos digitais podem ser benéficos dentro do processo. "Sem dúvida as tecnologias e aplicativos que hoje existem podem ajudar", diz Fraiman. "Tem alguns tipos de jogos [digitais] e atividades eletrônicas que promovem reflexão, estimulam a tomada de decisão e permitem desenvolver habilidades diversas. Por isso são importantes", acrescenta Franco.  
Apesar das vantagens, o psicoterapeuta faz um alerta: "A tecnologia deve ser usada com parcimônia. O uso exacerbado pode justamente impedir o ser humano de desenvolver outras habilidades, como o carisma, entusiasmo." 

Que tipo de exercício é melhor para a saúde do seu cérebro?

Gretchen Reynolds
Do New York Times

Alguns tipos de exercícios físicos podem ser muito mais efetivos para melhorar o funcionamento do cérebro, segundo um novo estudo feito em ratos. Pela primeira vez, os cientistas compararam os efeitos neurológicos de três exercícios: corrida, musculação e treinos intervalados de alta intensidade. Os resultados surpreendentes sugerem que se esforçar demais pode não ser a melhor opção para a saúde do cérebro no longo prazo.
Os exercícios mudam a estrutura e a função do cérebro. Estudos em animais e pessoas mostram que a atividade física em geral aumenta o volume do cérebro e pode reduzir o número e o tamanho de lacunas relacionadas com a matéria branca e cinzenta desse órgão.
Os exercícios também, e isso talvez até seja mais importante, aumentam a neurogênese nos adultos, ou seja, a criação de novas células em um cérebro já maduro. Em estudos com animais, exercícios, na forma de corridas em rodas ou em esteiras, duplicaram ou mesmo triplicaram o número de neurônios que apareceram depois nos hipocampos dos animais, uma área chave do cérebro para o aprendizado e a memória, comparado com o cérebro de animais que continuam sedentários. Os cientistas acreditam que esses exercício tem efeitos parecidos no hipocampo humano.
Roedores de laboratório sabem correr. Mas não se sabia se outras formas de exercícios também causariam aumentos na neurogênese, e essa é uma questão que vêm atraindo cada vez mais interesse, dado o aumento da popularidade de exercícios como musculação e intervalos de alta intensidade.

E musculação?


Assim, para o novo estudo, publicado este mês no The Journal of Physiology, pesquisadores da Universidade de Jyvaskyla, na Finlândia, e de outras instituições reuniram um grande grupo de ratos machos. Os pesquisadores injetaram nos animais uma substância que marca novas células cerebrais e os distribuíram em grupos, cada um com uma série de exercícios diferentes, sendo que um deles permaneceu sedentário para servir de controle.
Em algumas gaiolas foram colocadas rodas, que permitiam que os animais corressem o quanto quisessem. A maioria corria moderadamente todos os dias por vários quilômetros, embora a distância individual variasse.
Outros começaram um treino de resistência, o que para ratos quer dizer subir em um muro com pequenos pesos presos a seus rabos.
Outros ainda fizeram o equivalente para ratos de treino intervalado de alta-intensidade. Para isso, os animais foram colocados em pequenas esteiras e precisavam correr rapidamente por três minutos, seguido de dois minutos de corrida lenta, com a sequência toda repetida duas vezes, totalizando 15 minutos de corrida.
Essa rotina continuou por sete semanas, depois das quais os pesquisadores examinaram em microscópios o tecido cerebral do hipocampo de cada animal.
Eles descobriram vários níveis de neurogênese, dependendo de como cada animal havia se exercitado.
Os ratos que correram nas rodas mostraram níveis muito bons de neurogênese. O tecido de seu hipocampo tinha vários neurônios novos, muito mais do que os cérebros dos animais sedentários. Quanto maior a distância que um corredor cobriu durante a experiência, mais células novas havia em seu cérebro.
Os animais que fizeram o treino intervalado de alta intensidade apresentaram muito menos neurônios novos no cérebro. Eles tiveram quantidades maiores do que os animais sedentários, mas muito menos do que os corredores de longa distância.
E os ratos que fizeram treino com pesos, apesar de estarem muito mais fortes no final da experiência do que estavam no começo, não apresentaram aumento perceptível de neurogênese. O tecido de seu hipocampo estava exatamente igual ao dos animais que não se exercitaram.
Claro que ratos não são pessoas. Mas as implicações desses resultados são instigantes. Elas sugerem, diz Miriam Nokia, pesquisadora da Universidade de Jyvaskyla que chefiou o estudo, que "exercícios aeróbicos contínuos podem ser mais benéficos para a saúde do cérebro também em humanos".
Ainda não está claro por que correr longas distâncias é mais potente para promover a neurogênese, embora Miriam e seus colegas acreditem que a corrida de longa distância estimule a liberação de uma substância conhecida como fator neurotrófico derivado do cérebro, conhecida por regular a neurogênese. Quanto mais quilômetros o animal corre, mais dessa substância ele produz.
Outras pesquisas já mostraram que o treino com pesos, apesar de ser extremamente benéfico para a saúde dos músculos, tem pouco efeito nos níveis dessas substâncias no organismo, afirma Miriam, o que pode explicar por que esses exercícios não contribuíram para o aumento da neurogênese nesse estudo.
Já os benefícios potenciais para o cérebro do treino intervalado de alta intensidade, podem ter sido minados justamente por sua intensidade, diz Miriam. Sua intenção é ser fisiologicamente muito mais cansativo e estressante do que a corrida moderada, e "o estresse tende a diminuir a neurogênese no hipocampo dos adultos", explica ela.
Esses resultados não significam, no entanto, que apenas correr e fazer exercícios parecidos de resistência moderada melhorem o cérebro, diz Miriam. Essas atividades parecem aumentar a neurogênese no hipocampo. Mas a musculação e o treino intervalado de alta intensidade provavelmente levam a diferentes tipos de mudanças em outros lugares do cérebro. Eles podem, por exemplo, ajudar na criação de mais vasos sanguíneos, de novas conexões entre as células cerebrais ou entre diferentes partes do cérebro.
Assim, se você faz musculação ou se exercita exclusivamente com intervalos de intensidade, continue. Mas talvez também seja bom incluir uma corrida ou um passeio de bicicleta ocasional em sua rotina de exercícios para melhorar a saúde de seu hipocampo.

Jogos virtuais melhoram a atenção e a memória, segundo especialistas


  • Segundo especialista, jogos para a mente melhoram o desempenho quando praticados regularmente por pelo menos três meses
    Segundo especialista, jogos para a mente melhoram o desempenho quando praticados regularmente por pelo menos três meses
Seja pelo excesso de informação ou pelo ritmo de vida alucinante, você já deve ter parado um instante e esquecido o que estava procurando ou o que ia falar. A memória é infinita, mas precisa ser treinada para ter rápido acesso às informações escondidas no seu cérebro.
Com esta necessidade crescente para não perder tempo no seu dia a dia (lembrando onde deixou os óculos, por exemplo) ou no trabalho, surgiram diversos jogos especializados na tarefa. As “academias virtuais” prometem exercitar as funções do cérebro e deixá-lo melhor do que nunca. Mas estes jogos para a mente realmente funcionam?
As pesquisas científicas divergem, algumas afirmam que há melhoras, especialmente em pacientes com problemas de memória como o Alzheimer, outras não indicam ganhos significativos.
“Existem muitas pesquisas sobre o desenvolvimento do cérebro e jogos computadorizados, mas ainda não há provas científicas que possam esclarecer se eles são eficientes”, conta a neurocientista Mirna Wetters Portuguez, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Franck Tarpin-Bernard, chefe de tecnologia da Scientific Brain Training, que possui o site de games para o cérebro Happy Neuron, afirma que os jogos são eficientes porque foram desenvolvidos para exercitar adequadamente áreas específicas do cérebro. O jogo pode ser um caça-palavras ou uma batalha naval, que estimula em níveis diferentes as funções cognitivas memória, atenção, linguagem, raciocínio lógico e visão espacial.
“Exercitamos regularmente áreas específicas do cérebro como memória e atenção, e temos programas interativos, em que existem níveis de dificuldade, então é possível ser desafiado constantemente e, assim, não desistir e melhorar suas funções cognitivas”, explica Tarpin-Bernard.
Portuguez concorda que os jogos virtuais melhoram o desempenho cognitivo, mas não há muita diferença em relação aos demais videogames.
“Jogos computadorizados funcionam como efeito estimulador no desenvolvimento intelectual, permitem maior flexibilidade de raciocínio, desafiam nosso funcionamento executivo, ajudam a treinar e estimular o pensamento lógico, o planejamento estratégico, a solução de problemas, a tomada de decisões, o reconhecimento de erros, a enfrentar situações novas, a inibir reações habituais quando se mostram inadequadas para o momento e o raciocínio dedutivo”, elenca.
Todas essas funções estão localizadas no lobo frontal, especialmente no córtex pré-frontal, que é responsável por essas manifestações cognitivas e comportamentais.
Por outro lado, ela acredita que os jogos não substituem relações sociais, que desenvolvem outras áreas do cérebro. “No entanto, essas habilidades são menos produtivas em algumas funções cognitivas muito importantes como linguagem, incluindo compreensão e expressão verbal, leitura, escrita e alguns aspectos comportamentais, como interagir com o mundo real, com as pessoas, tanto no âmbito afetivo como social”, pondera.
Sudoku
Sabe-se que várias atividades podem estimular e treinar o cérebro, como jogos de baralho, palavras-cruzadas, xadrez e a leitura. Em uma pesquisa realizada com mais de 5.000 chineses idosos, comparou-se grupos com diferentes atividades de lazer, como assistir à TV, ler e jogar Mahjong (considerado um jogo das 100 inteligências). Os idosos que tinham o hábito do jogo e da leitura apresentaram risco menor de prejuízos cognitivos.
Tarpin-Bernard diz que estes jogos ajudam a fortalecer ligações no cérebro, mas que elas não são usadas para funções do dia a dia. “A pessoa quer ter uma memória melhor para lembrar o que tem q comprar no supermercado, para coisas do dia a dia. Jogando muito sudoku o máximo que você vai conseguir é ser um expert em sudoku”, ironiza.
O grande diferencial, segundo ele, é que os jogos para o cérebro combinam funções cognitivas diferentes e aumentam a dificuldade gradativamente, o que permite a criação de novas conexões para se chegar à informação. “Os games ensinam como focar sua atenção e melhorar a concentração e ainda desenvolvem técnicas de memorização que você já usa naturalmente”, explica.
Pesquisa
Uma das principais pesquisas sobre a eficiência dos jogos para mente foi realizada pela BBC. A "Lab UK" Bang Goes the Theory testou cerca de 11 mil pessoas. Elas tinham que fazer determinadas atividades, no mínimo 10 minutos ao dia, três vezes na semana, por seis semanas. No final, as pessoas que realizaram treino cerebral e as que simplesmente usaram a internet durante mesmo tempo tiveram ganhos cognitivos semelhantes.
“Eles observaram melhoras progressivas no desempenho no jogo, mas os ganhos cognitivos não acompanharam essa 'performance'. Não identificaram melhoras no raciocínio geral, nas funções de memória, planejamento e nem nas habilidades visuais e espaciais”, lembra a neurocientista.
A resposta dos especialistas em jogos para a mente não diverge da conclusão da própria pesquisa: é necessário mais tempo de atividade para verificar benefícios no funcionamento cognitivo. “Um período curto, como foi feito na pesquisa em questão, não é suficiente para produzir modificações consistentes no cérebro”, analisa Portuguez.
Para o especialista em jogos para a mente, para se começar a ter resultados é necessário pelo menos 90 dias de treinamento regular, com 20 minutos a cada 2 dias.

Teste identifica 'melhor maneira' de combater perda de memória

  • Atividade que desenvolva habilidades psicomotoras e também sociais pode melhorar o funcionamento do cérebro
    Atividade que desenvolva habilidades psicomotoras e também sociais pode melhorar o funcionamento do cérebro
Quais exercícios seriam capazes de melhorar a atividade cerebral?
Pergunte quais são as maiores preocupações de qualquer pessoa com mais de 40 anos e uma das respostas mais comuns certamente será o medo de perder a memória.
Há algumas maneiras mais conhecidas de manter a saúde do cérebro - não fumar, manter-se dentro do peso ideal ou não desenvolver diabetes do tipo 2.
Mas pode-se fazer algo para realmente melhorar o cérebro? Pesquisadores britânicos desenvolveram um teste para tentar descobrir.

Para esse teste, feito em parceria com a Universidade de Newcastle, na Inglaterra, foram recrutados 30 voluntários. Eles foram submetidos a diversos exames que analisaram memória, habilidade de resolver problemas e velocidade de reação.
Todos receberam um monitor de atividade, que mediu o quanto e quando eles se moviam. Em seguida, os voluntários foram separados aleatoriamente em três grupos. Cada grupo recebeu uma atividade diferente, que deveria ser feita durante oito semanas.
A tarefa para um dos grupos era simplesmente andar rapidamente, a ponto de ficar quase sem ar, durante três horas por semana. A ideia é que a caminhada - ou qualquer forma de exercício vigoroso - mantém o cérebro alimentado com sangue rico em oxigênio.
Mas a tarefa não agradou a todos. "Caminhar é a atividade que eu menos gosto", disse Ann, uma das participantes.
O segundo grupo teve que fazer jogos, como palavras cruzadas ou Sudoku, também por três horas por semana. A justificativa é que o cérebro se beneficia dos desafios.
Finalmente, o terceiro grupo teve que observar um homem nu por três horas a cada semana. Mais precisamente, tiveram que participar de uma aula de arte que também envolvia desenhar um modelo, Steve.
Quem se beneficiou mais?
No final do experimento, quase todos no primeiro grupo relataram uma grande melhoria em seu condicionamento físico - quão fácil passou a ser uma subida, por exemplo.
No segundo, os voluntários acharam os desafios difíceis no início, mas no final já estavam trocando dicas de Sudoku.
Mas o grupo mais entusiasmado foi, sem dúvida, o de arte. Embora alguns tenham achado difícil assistir à aula uma vez por semana, todos eles comentaram sobre o quanto gostaram.
"Eu me tornei uma desenhista compulsiva de tudo", disse Simone. "Eu até sai para comprar alguns lápis pastel e até mesmo um livro sobre 'Como (desenhar)'."
Mas qual dos grupos teve mais melhorias em relação ao poder do cérebro?
Cientistas refizeram a bateria de testes cognitivos e os resultados foram bem claros. Todos os grupos tinham terminado a experiência um pouco melhor, mas o de maior destaque era o que tinha assistido à aula de arte.
Mas por que ir a uma aula de arte pode fazer a diferença para coisas como a memória?
Novo aprendizado
O psicólogo clínico Daniel Collerton, um dos especialistas que participou do estudo, disse que parte do benefício veio de aprender uma nova habilidade.
"Aprender algo novo", diz, "envolve o cérebro de maneiras que parecem ser a chave. O seu cérebro muda em resposta a isso, não importa quantos anos você tenha".
Terceiro grupo participou de aulas de arte
Aprender a desenhar não era apenas um novo desafio para o grupo, mas, ao contrário das palavras cruzadas e do Sudoku, também envolvia o desenvolvimento de habilidades psicomotoras.
Capturar uma imagem no papel não é apenas intelectualmente exigente: envolve aprender a fazer os músculos na mão guiarem o lápis ou o pincel nas direções corretas.
Um benefício adicional é que ir à aula de arte significava que durante três horas semanais eles tiveram que ficar em pé enquanto desenhavam ou pintavam.
Ficar de pé por longos períodos é uma boa maneira de queimar calorias e de manter o coração em boa forma.
A aula de arte também foi a mais ativa socialmente, outra coisa importante a ser levada em conta para manter o cérebro afiado. Este grupo reuniu-se regularmente fora das aulas e trocou e-mails.
Voluntários foram dividos em três grupos, com diferentes tarefas a serem realizadas por oito semanas
Tudo isso fez com que o grupo da arte tivesse um benefício triplo. E uma das voluntárias, Lynn, disse que aprender a desenhar também havia produzido outros benefícios inesperados.
"Parte do meu trabalho envolve escrever e propor ideias, o que é um processo difícil e demorado", diz.
"Eu sou disléxica, o que é um obstáculo adicional, mas, após fazer a aula de arte, descobri que a minha escrita agora flui e minha capacidade de concentração melhorou. Parece que abri minha mente. Não tenho certeza se consigo explicar, só sei que fez a diferença."
O mais provável, segundo os pesquisadores, é que qualquer atividade de grupo que envolva ser ativo e aprender uma nova habilidade ajude a impulsionar o funcionamento do cérebro.

Fonte:http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/the-new-york-times/2016/07/15/a-mente-que-perturba-a-mente.htm