ZAZEN - COMO PRATICAR

Zazen – como praticar


Zazen – a postura

Vamos descrever a postura do Zazen, mas é importante pensar que não se trata de forçar um ideal de perfeição que não possuímos. Vamos começar com o corpo que temos e somos. A prática do Zen acentua o estarmos presentes aqui e agora. Não há nada a rejeitar ou a desejar. A observação do nosso espaço físico, das tensões, das repressões, do bem-estar, do que queremos agarrar ou do que podemos largar faz parte do caminho para o conhecimento profundo de si mesmo. Através da consciência da postura, entramos no caminho da prática. A meditação não é apenas manter o corpo numa posição correcta e conservar a mente calma quando sentados, a meditação é prolongar o estado de uma mente tranquila nessa e noutras situações e transparece na atenção e na consciência com que vivemos sob as mais diferentes condições.

Como sentar 

Senta-te na parte da frente de um cadeira ou de uma almofada alta, de preferência numa almofada de meditação (zafu em japonês). Cruza as pernas numa posição que possas manter confortavelmente. Em meio-lótus, o pé da perna esquerda vai apoiar-se na coxa da direita (ou vice versa). Em Lótus completo, os dois pés apoiam-se nas coxas opostas. Podes sentar-te ainda mais simplesmente com as pernas cruzadas e alinhando os calcanhares pelo centro do corpo. O importante é ter três pontos de apoio, e por isso é necessário que os joelhos estejam o mais próximo possível do chão. Se te sentares numa cadeira, conserva os joelhos afastados mais ou menos à distância dos ombros e os pés firmemente plantados no chão.
O mais importante é manter as costas direitas. Devem manter-se “naturalmente” direitas, com o equilíbrio centrado no baixo ventre. Avança a parte de baixo das costas um pouco para a frente, abre o peito, recua os ombros e inclina ligeiramente o queixo para dentro, mantendo a cabeça direita, no prolongamento da coluna. Balança o corpo com suavidade da esquerda para a direita, até alcançares naturalmente um ponto de quietude na almofada.
Os olhos ficam entreabertos, pousados no chão num ângulo de cerca de 45º.
Os lábios tocam-se sem pressão, e a ponta da língua toca o palato perto da raiz dos dentes. Podes começar por engolir a saliva antes de colocar a língua nesta posição.
Coloca as mãos na posição do chamado mudra cósmico, o mudra da unidade: pousadas no regaço, a palma da mão esquerda virada para cima, pousada na palma da mão direita. Em algumas tradições, a posição das palmas da mão inverte-se (a esquerda mantém a direita). A ponta dos polegares toca-se, formando um oval horizontal. As mãos ficam encostadas ao abdómen, cerca de três dedos abaixo do umbigo, o que corresponde ao centro de vajra na tradição tibetana e ao hara na tradição japonesa, o centro físico e subtil do corpo.
Exala profundamente. A tua respiração deve fluir num ritmo natural. Com uma postura física adequada, a respiração vai conduzir-se naturalmente para o baixo abdómen.
Conserva a imobilidade e concentra-te na respiração. Quando a atenção vagueia, trá-la de volta para a respiração.
No final da sessão, volta a balançar o corpo devagar da direita para a esquerda. Não te levantes bruscamente.
Tenta praticar todos os dias.

Kinhin – meditação em andamento

Fechar a mão esquerda sobre o dedo polegar, que pressiona ligeiramente a zona abaixo do dedo anelar, e cobri-la com a mão direita. As mãos ficam à altura do plexus solar. Os antebraços paralelos ao chão. O olhar tem uma inclinação de cerca de 45.º como na meditação sentada. Ao inspirar, avança-se meio passo com o pé direito. Na inspiração seguinte, avança-se com o pé esquerdo. Uma expiração tem geralmente o dobro do tempo da inspiração. O peso do corpo fica sobre o pé que está à frente. Tornamo-nos um com a nossa contagem de respiração.
O Kinhin permite flexibilizar os músculos e estabelecer a circulação, depois dos períodos de meditação sentada.


Quando praticas Zazen, não desprezes nem te deleites nos pensamentos que surgem.
Olha simplesmente para a sua origem e reconhece que tudo o que se apresenta na tua mente ou é visto pelos teus olhos é ilusão, desprovido de realidade. Não o receies, não o reverencies, não o ames, não o odeies.
Bassui Tokusho