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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

ELEGIA 1938 - CARLOS DRUMOND DE ANDRADE

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Elegia 1938 (com vídeo com Caetano Veloso)

Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século …

A HISTÓRIA SECRETA DA RENÚNCIA DE BENTO XVI

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A história secreta da renúncia de Bento XVI Mais do que querelas teológicas, são o dinheiro e as contas sujas do banco do Vaticano os elementos que parecem compor a trama da inédita renúncia do papa. Um ninho de corvos pedófilos, articuladores de complôs reacionários e ladrões sedentos de poder, imunes e capazes de tudo para defender sua facção. A hierarquia católica deixou uma imagem terrível de seu processo de decomposição moral. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris. Paris - Os especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que o Papa Bento XVI decidiu renunciar em março passado, depois de regressar de sua viagem ao México e a Cuba. Naquele momento, o papa, que encarna o que o diretor da École Pratique des Hautes Études de Paris (Sorbonne), Philippe Portier, chama “uma continuidade pesada” de seu predecessor, João Paulo II, descobriu em um informe elaborado por um grupo de cardeais os abismos nada espirituais nos quais a igrej…

COMPARANDO BUDA E JESUS : DOIS MESTRES QUE PARTILHAVAM DA DIVINDADE

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Dois Mestres Que Partilhavam da Divindade

Eça de Queiroz


O escritor português Eça de Queiroz (1845-1900)

O texto a seguir é reproduzido
do volume “A Correspondência de
Fradique Mendes”, de Eça de Queiroz,
L& PM Pocket, 2001, 206 pp., pp. 196-198.
Trata-se de um fragmento do capítulo XVI.


Na década de 1970, seu conteúdo causou escândalo
e divisão na cúpula do movimento teosófico brasileiro. [1]


(C. C. A.)

Muito aprovo, minha estudiosa Clara, que andes lendo a [ história] do divino Buda. Dizes, desconsoladamente, que ele te parece apenas um Jesus muito complicado. Mas, meu amor, é necessário desentulhar esse pobre Buda da densa aluvião de Lendas e Maravilhas que sobre ele tem acarretado, durante séculos, a imaginação da Ásia.


Tal como ela foi, desprendida da sua mitologia,e na sua nudez histórica, - nunca alma melhor visitou a terra, e nada iguala, como virtude heróica, a “Noite do Renunciamento”.


Jesus foi um proletário, um mendigo sem vinha ou leira, sem amor nenh…

A EROSÃO DAS FONTES DE SENTIDO - LEONARDO BOFF

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Já foi dito, com verdade, que o ser humano é devorado por duas fomes: de pão e de espiritualidade. A fome de pão é saciável. A fome de espiritualidade, no entanto, é insaciável. É feita de valores intangíveis e não materiais como a comunhão, a solidariedade, o amor, a compaixão, a abertura a tudo o que é digno e sagrado, o diálogo e a prece ao Criador. Esses valores, secretamente ansiados pelos seres humanos, não conhecem limites em seu crescimento. Há um apelo infinito que lateja dentro de nós. Somente um infinito real pode nos fazer repousar. A excessiva centralização na acumulação e no desfrute de bens materiais acaba por produzir grande vazio e decepção. Foi o que concluíram analistas da universidade Lausane. Algo em nós grita por algo maior e mais humanizador. É nesta dimensão que se coloca a questão do sentido da vida. É uma necessidade humana encontrar um sentido coerente. O vazio e o absurdo produzem angústia e sentimento de estar só e desenraizado. Ora, a sociedade industrialis…

CASULOS - COCOONS

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Quais são nossos casulos físicos, espirituais e psicológicos? Até quando precisamos de casulos e quando será a hora de nos livrarmos dos mesmos? E por que será que temos tanto medo de sermos livres? É sobre isso que iremos refletir um pouco!

O ser humano tem necessidade de viver em casulos. Segundo o Aurélio, casulo vem do latim casula, diminutivo de casa. É também o invólucro de algumas sementes, insetos e larvas à base de fios de seda. Serve como proteção contra os pedradores e também fornece o ambiente ideal para grandes mudanças físicas que antecedem a fase adulta em que a larva finalmente se transforma em borboleta. “É nessa terceira fase que acontecem as grandes mudanças. A larva fica em estado de total repouso por um período que varia de uma semana a um mês e os tecidos do seu corpo vão se modificando. Quando a borboleta está pronta, ela rompe o casulo e libera as asas.”




Romper o casulo e liberar as asas é o símbolo máximo de liberdade e plenitude. Nas borboletas, …

YOGA E PRO$PERIDADE

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YOGA E PRO$PERIDADE

Entrevista com Pedro Kupfer
Antes de começar, cabe o pensamento: nós precisamos mesmo deste tipo de discussão? É este tema realmente relevante para a vida de Yoga? Hoje em dia vemos muitos “profissionais” do Yoga focados em prosperar e totalmente refratários à ideia de olhar com compromisso e sinceridade para o Yoga que afirmam ensinar e praticar. Este tipo de conversação pode nos desviar, de fato, do tema central, que é a liberdade.

1. Você acredita que o equilíbrio que o Yoga traz em todos os níveis da vida tem a ver com estar realizado no mundo material também?

Bom, isso depende do que signifique a expressão “estar realizado no mundo material”. Falar em realização material ou em prosperidade implica definir padrões. Numa sociedade onde a maioria dos pastores têm meia dúzia de cabras, aquele que tiver duas dúzias é o mais próspero. Mas isso torna aquele pastor uma pessoa “realizada”? Numa sociedade onde a maioria das famílias têm um carro só, eu só me rea…

COMPREENDENDO O BHAKTI YOGA - PEDRO KUPFER

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Compreendendo o Bhakti Yoga
Ouvimos dizer, e às vezes repetimos um pouco sem pensar, que há muitas “formas” de Yoga: Jñāna Yoga, Karma Yoga, Haṭha Yoga, Rāja Yoga, etc. Assim, o Yoga do Conhecimento seria adequado para pessoas com uma disposição natural para o estudo, enquanto que o Yoga da Ação seria conveniente para pessoas pragmáticas, o Yoga “físico” estaria indicado para pessoas inquietas enquanto que o Yoga “real” seria para gente mais introspectiva, etc.

Esta maneira de classificar e listar “métodos” é abritrária e equivocada. Não obstante, está muito presente na literatura atual de Yoga. Em verdade, não existen métodos diferentes, mas etapas distintas dentro de um único caminho, que é o processo de crescimento de cada ser humano. Assim, os assim chamados “métodos” são apenas momentos ou fases dentro desse processo maior que podemos chamar vida de Yoga. Somente existe um Yoga. A esse respeito, diz o Ṛg Veda:
“Ó homem que procuras a verdade e a sabedoria,
abre os braços …